sábado, 10 de agosto de 2013

Deus é Pai




   Deus é Pai 
                                   Pe. Fábio de Melo
Quando o sol ainda não havia cessado seu brilho,
quando a tarde engolia aos poucos
as cores do dia e despejava sobre a terra
os primeiros retalhos de sombra
Eu vi que Deus veio assentar-se 
perto do fogão de lenha da minha casa.

Chegou sem alarde, retirou o chapéu da cabeça
e buscou um copo de água no pote de barro
que ficava num lugar de sombra constante.

Ele tinha feições de homem feliz, realizado
parecia imerso na alegria que é própria
de quem cumpriu a sina do dia e que agora
recolhe a alegria cotidiana que lhe cabe.

Eu o olhava e pensava: 
Como é bom ter Deus dentro de casa!
Como é bom viver essa hora da vida
em que tenho direito de  ter um Deus só pra mim.
Cair nos seus braços, bagunçar-lhe os cabelos,
puxar a caneta do seu bolso 
e pedir que ele desenhasse um relógio
bem bonito no meu braço...

Mas aquele homem não era Deus,
aquele homem era meu pai.
E foi assim que eu descobri 
que meu pai com o seu jeito finito de ser Deus
revela-me Deus
com seu
jeito infinito de ser homem.



terça-feira, 23 de julho de 2013

Renascer diariamente


Renascer diariamente

      

Como a luz da aurora
dissipa as trevas,
e um novo dia
começa a brilhar,
colocando em festa
o coração da natureza,
assim é preciso renascer para a vida,
DIARIAMENTE.
A alegria de viver
não vem por si.
É necessário predispor-se para ela.
Cultivá-la.
Conquistá-la, palmo a palmo.

Só a compreende quem ama...
E só ele ressuscita.
Sabe que outros precisam dele.
Que sua vida é útil.
Que sua presença é importante.

Faça cada dia, amigo,
a experiência da ressurreição.

Deixe
no sepulcro vazio da noite,
todas as tristezas e ilusões,
todos os cansaços e desânimos,

e ressurja
com novo alento
com novas disposições,
com uma vontade imensa

de amar a todos,
de colocar um sorriso de festa
no olhar dos tristes,
dizer uma palavra de conforto
aos que sofrem,
enfim: tornar o mundo
Um pouco mais feliz,
porque você ama!
                                                  Carlos Afonso Schmitt

segunda-feira, 22 de julho de 2013




Deus não se cansa de perdoar
                             Olhar diferente
        
Katsushika – 1760 a 1849 – famoso pintor japonês, foi um apaixonado pelo monte Fuji Yama. Toda sua obra gira ao redor desta montanha sagrada. Ele não teve receio de gastar dois anos de trabalho na pintura, num vaso, do majestoso panorama do Fugi.
            Foi sua obra mais famosa. Mas num belo dia um descuido derrubou o vaso. Com extremo cuidado, recolheu os pedaços e recompôs sua obra. Para evitar que  as rachaduras  aparecessem, ele colocou um fio de ouro em cada emenda. O vaso ficou mais bonito após o desastre.

            Num dos seus primeiros pronunciamentos, o Papa Francisco declarou: Deus jamais  cansa de nos perdoar, nós é que esquecemos de pedir perdão. A missão de Jesus na terra foi a de reconciliar os homens com Deus.

            Paulo, apóstolo exorta aos discípulos deixai-vos reconciliar com Deus ( 2 Cr 5, 20 ). A iniciativa é de Deus, cabe a nós acolher o perdão generoso que tem o aval do sangue de Cristo. Tudo o que Deus faz é do seu jeito. E o seu jeito é de ser infinito. Esta lógica o perdão é infinito. Mais do que perdoar pecados, Deus perdoa a pessoa. Judas e Pedro têm algo em comum: a traição. O que distingue um do outro é a atitude posterior. Enquanto Pedro chorou amargamente seu pecado, Judas não acreditou na misericórdia e enforcou-se. Foi depois da tríplice traição que Pedro, por três vezes, declarou amor ao Mestre e tornou-se o primeiro Papa. Judas queimou a chance de tornar-se um santo extraordinário.

            Um grande missionário capuchinho, Frei Bernardino de Vilas boas, falecido em 1985, costumava dizer: Deus tem mania de perdoar... Na cruz, na dureza da agonia, Jesus não esquece sua prioridade: ” Pai, perdoai-lhes. Eles não sabem o que fazem“ ( Lc 23, 34).

            O pecado está presente mesmo na vida dos grandes santos. Um exemplo clássico é o de santo Agostinho. Ele deixou a memória de seus pecados em seu livro Confissões. São Francisco de Assis recorda, sem grande preocupação mas com extrema confiança, o tempo em que estava em pecado. É verdade também que outros santos seguiram o caminho iluminado da perfeição.

            Deus não quer o pecado, mas ama o pecador. O próprio pecado se torna fecundo quando nos ensina alguma coisa, sobretudo a confiar no Pai.

            O Salmo 50, atribuído a Davi, um rei pecador, por três vezes garante que Deus apaga o nosso pecado.
            E como o artista Hokusai, ali, ali onde existiram grandes rachaduras, ele coloca o fio de ouro do perdão e da possibilidade de recomeçar.
                                      
                           Aldo Colombo










domingo, 30 de junho de 2013

Por Damasco em direção à Vida

Paulo é exemplo de pessoa em busca do ideal. Ele tinha ideal, mas  falso. Há sempre uma ponta de ilusão, na busca da felicidade. Paulo de Tarso falhou nesta busca...



À procura de mais cristãos, a fim de exterminá-los, Saulo dirigiu-se a Damasco, na Síria. Antes de chegar na cidade, um acontecimento inesperado vai mudar o rumo de sua existência. Cristo deteve-o e pergunta: “Saulo, Saulo,  por que me persegues? O fato que tudo mudou aquela vida é narrado nos Atos dos apóstolos( At 9, 1 – 25 ).
Respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor, Saulo ia a Damasco prender cristãos. Já perto da cidade, viu-se jogado por terra e, sem ver ninguém, uma voz disse: Saulo, Saulo, por que me persegues? Era a voz do próprio Cristo que o escolhera para ser seu apóstolo. Aquele encontro iluminou e transformou-lhe a vida.
         Cristo precisava essa vigorosa personalidade. Rica de qualidades humanas, misto de cultura grega, judaica e romana. E Saulo passou a ser São Paulo, o maior  apóstolo de Jesus Cristo.
         Paulo de Tarso é certamente uma figura impressionante. De personalidade rica, temperamento apaixonado, impulsivo, colérico, religioso no melhor estilo da época, pois era fariseu. Sincero, inteligente, mas angustiado, insatisfeito com o que fazia. Nunca teria pensado que sua vida iria mudar tão profundamente, naquele encontro com Cristo.
         O encontro dos dois judeus foi violento mas fez dois amigos inseparáveis, Saulo odiava Jesus de Nazaré, sua doutrina e seus seguidores, mas a sinceridade permitiu-lhe transformar-se apenas  viu brilhar a verdade em Cristo. A partir daquele momento Cristo, seu ideal, seu tipo de vida, passou a ser a mais forte paixão de Paulo. Ele se gloriava de ser “servo e apóstolo de Jesus Cristo”. Assim ele começa todas as cartas 
( epístolas ) aos cristãos da época.
         Quando Cristo entra numa vida. Ilumina-a por dentro, toca-a profundamente.
Enche o coração do ser humano. Faz-lhe esquecer o passado para lançar-se em frente, em busca de ideal sempre mais alto (Fl 3, 7 -14 ). Hoje também há homens e mulheres que fazem a experiência de Damasco.
         Damasco é o caminho da vida, o caminho do encontro, o caminho de todas as pessoas em busca de Deus.
         Pode-se afirmar, hoje, que sem Paulo o mundo seria diferente. Eu acredito que nem eu, nem você conhecemos sua importância para Cristo. Ele precisa de você para transformar o mundo. Eliminar a injustiça, criar mais amor, colocar a verdade no lugar da mentira. Como precisou de Paulo de Tarso.
         Damasco é o caminho da vida das pessoas que encontraram Cristo e por ele se apaixonaram e lutam pelo seu tipo de vida singular.

São pessoas marcadas pela luz, pelas cores da luz de Cristo.
Apaixonadas por Ele,  como Paulo de Tarso.


(Extraído do Livro: “A vida tem a cor que você pinta” – Mario Bonatti)

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Algemas do despreparo

               ALGEMAS DO DESPREPARO


       Aprenda a ver os desafios com um "olhar" de crescimento, não os transforme em prisões que impedem o seu desenvolvimento pessoal

O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você. ( Mario Quintana)

É incrível a capacidade humana de frustrar-se com as situações, das menores contrariedades aos grandes problemas conseguimos extrair algum tipo de lamentação. Em outras espécies animais, uma dificuldade encontrada é apenas mais um obstáculo a ser enfrentado, entre tantos outros na luta pela sobrevivência.

Isso ocorre, por que nós humanos costumamos nutrir um elevado nível de expectativa em torno das pessoas e dos fatos. Sempre esperamos que o outro seja simpático e cooperativo ou, que os nossos projetos na vida atinjam excelentes patamares de sucesso e reconhecimento.
 No entanto, quando a realidade chega e temos que lidar com o que de fato as pessoas são e as situações nos devolvem, nem sempre recebemos o esperado.

Com isso surgem as frustrações que não deveriam ser tão conflitantes, mas sim, construtivas experiências de vida. Só que elas nos abatem, nos fazem muitas vezes crer que a vida não é lá essas coisas, que o mundo não nos valoriza! E por quê? Porque nós também alimentamos um elevado nível de expectativas em relação a nós mesmos, não conseguimos lidar com a nossa própria humanidade, com as nossas limitações.

Assim, criamos um ciclo vicioso de imaturidade. Por exemplo, é bastante comum ouvirmos pessoas dizerem que quando estão muito ansiosas comem mais ou, quando estão muito nervosas com alguma situação no trabalho, acabam extravasando em outros profissionais o seu descontrole. Nessa hora surge o mesmo raciocínio das pessoas que vão em liquidações: “Já que está barato, vou levar mais esse produto”, ou seja, “já que algo deu errado que se dane! Vou comer, vou brigar, vou me descontrolar, já que está tudo uma porcaria mesmo!”

Nesse exato momento você se torna refém de você mesmo, da sua insanidade, da sua incapacidade de crescer e enfrentar as vicissitudes de frente. Assim, somos algemados por nós mesmos, deixamos de atrair o que desejamos e passamos a atrair o que está em sintonia com o nosso próprio desequilíbrio.

E assim, recitando uma vez mais o genial Mário Quintana, narro mais um pensamento seu: “Esta vida é uma estranha hospedaria, de onde se parte quase sempre às tontas, pois nunca as nossas malas estão prontas e a nossa conta nunca está em dia.”

Portanto, cuide bem do seu momento atual, procure deixar as suas malas repletas de utensílios importantes, cuide porém para não levar bagagem extra, como situações ou conflitos mal resolvidos . Viva, não lamente. Até a próxima semana.

                                                                      Lígia Guerra
                                                                      

sábado, 18 de maio de 2013

Os sete dons do Espírito Santo


Os sete dons do Espírito Santo

SABEDORIA
É o dom de perceber o certo e o errado, o que favorece e o que prejudica o projeto de Deus. Por este dom buscamos não as vantagens deste mundo, mas o Bem Supremo da vida, que nos enche o coração de paz e nos faz felizes. Diz o Senhor: "Feliz o homem que encontrou a sabedoria... Ela é mais valiosa do que as pérolas" (Cf. Pr 3,13-15).
ENTENDIMENTO
É o dom divino que nos ilumina para aceitar as verdades reveladas por Deus. Mesmo não compreendendo o mistério, entendemos que ali está a nossa salvação, porque procede de Deus, que é infalível. O Senhor disse: "Eu lhes darei um coração capaz de me conhecer e de entender que Eu sou o Senhor" (Jr 24,7).
CONSELHO
É o dom de saber discernir caminhos e opções, de saber orientar e escutar, de animar a fé e a esperança da comunidade. Mas o Senhor disse-lhe: "Não te deixes impressionar pelo seu belo aspecto, porque eu o rejeitei. O que o homem vê não é o que importa: o homem vê a face, mas o Senhor vê o coração" (1 Sm 16,7).
FORTALEZA
É o dom de resistir às seduções, de ser coerente com o Evangelho, de enfrentar riscos na luta por justiça, de não temer o martírio. São Paulo confiava no dom da fortaleza. Ele disse: "Se Deus está conosco, quem será contra nós?" (Rm 8,31).
 CIÊNCIA
É o dom de saber interpretar e explicar a Palavra de Deus. Por este dom, o Espírito Santo nos revela interiormente o pensamento de Deus sobre nós, pois "os mistérios de Deus ninguém os conhece, a não ser o Espírito Santo" (1 Cor 2,10-15).
PIEDADE
É o dom de estar sempre aberto à vontade de Deus, procurando agir como Jesus agiria e identificando no próximo o rosto de Cristo. É o dom pelo qual o Espírito Santo nos dá o gosto de amar e servir a Deus com alegria. "O Reino de Deus não consiste em comida e bebida, mas é justiça, paz e alegria no Espírito Santo" (Rm 14,17).
TEMOR DE DEUS
Não quer dizer "medo de Deus", mas medo de ofender a Deus. Sendo Ele o nosso melhor amigo, temos o receio de não lhe estarmos retribuindo o amor que lhe é devido. Mais do que temor, é respeito e estima por Deus. "Ouve, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e com todas as tuas forças" (Dt 6,4-5).
 (Basílica N. Sra. Do Carmo - Campinas/SP

domingo, 7 de abril de 2013

Habebus Papam


Habemus Papam
(Já temos Papa)



O pedido de renúncia  do Papa Bento XVI  surpreendeu o mundo.  A sede ficou vacante de 28/02 a 13/03/2013.  Este acontecimento foi alvo de muitas críticas por parte de nossos irmãos não católicos, que diziam: “Agora a Igreja católica  vai acabar é o fim. Esqueceram porém, das palavras de Cristo: 
“... eu te digo que tu és Pedro e sobre  esta pedra edificarei minha Igreja e as portas do inferno nunca prevalecerão contra ela”
( Mt 16, 18 ).
Por outro lado, este acontecimento foi motivo  de busca, de esclarecimento sobre a história da Igreja, dos Papas, etc. Vieram à tona episódios registrados ao longo da história,  esclarecendo que esta renúncia do Papa não foi a primeira, outras a antecederam.
“Habemus Papam” = Já temos Papa. O dia 12 de março de 2013 foi um marco na história da Igreja Católica. O mundo todo estava ansioso na expectativa, da tradicional “fumaça branca”, anunciadora  do novo líder religioso.
A Praça de são Pedro, qual coração de Mãe, acolheu mais de 50 mil pessoas, nem a chuva e nem o frio as demoveu, aí permaneceram firmes, acenando bandeiras, levantando a mãos... Eu me pergunto: Qual é o chefe de Estado que reúne tanta gente, é acolhido dessa forma?
Ao sinal da “Fumaça branca”, os sinos começaram a badalar, o povo ansioso, vibrando,  agora se interroga: Quem seria o escolhido de Deus? De que nação?
Ainda momentos de tensão e espera...  De repente, na janela iluminada se abre a cortina e surge a figura do cardeal argentino  Jorge Mario Bergoglio, agora papa adotando o nome Francisco da América Latina.

             
Muito aplaudido, simpático  e muito emocionado saúda e agradece  o mar humano concentrado na praça e dirige algumas palavras ao público. Dentre as palavras verbalizadas falou forte  a seguinte frase: “ Não pretendo ser intelectual, mestre ou professor, mas quero sim, “ser Pastor para o povo”.  É de líderes assim que a nossa Igreja e não de “profissionais do sagrado”.
“Começamos este caminho, bispo e povo, esse caminho da Igreja de Roma, que é aquela que preside na caridade com todas as Igrejas. Um caminho de fraternidade, de amor e de confiança entre nós. Rezemos sempre por nós, uns pelos outros. Rezemos por todo o mundo, para que seja uma grande fraternidade. O Papa assinalou logo que “desejo que este caminho de Igreja que hoje começamos – me ajudará o meu cardeal vigário aqui presente – seja frutuoso para a evangelização dessa sempre bela cidade”.
 “Gostaria de dar-lhes a benção, mas antes peço um favor. Antes que o bispo abençoe o povo, eu peço para que Deus abençoe o seu Bispo. Façamos em silêncio esta oração de vocês por mim”.
Este gesto foi marcante para mim, o papa dirigindo-se à multidão faz oração pelo papa emérito e depois pede  ao povo para orar em  silêncio pedindo a Deus  por ele. Após uns momentos, o Papa se inclina para receber a bênção de Deus através do  povo.
Sentindo-se confirmado, iluminado e abençoado, volta-se para o grande público para dar a bênção Urbi et Orbi. Urbi et Orbi significa "à cidade de Roma e ao mundo" em português, e é um termo oriundo do latim. 
“Ficamos muito felizes pelo novo Papa, que veio em nome do Senhor e assim bem rapidamente podemos perceber duas virtudes e assim sendo características de Jesus em Francisco, que são a Humildade e a Simplicidade. ∙ Jesus nos ensinava muito sobre essas duas grandes virtudes, ele mesmo expressava em seu caminhar, falar e agir quando evangelizava pelas terras onde passava e nos deixou esses ensinamentos para também bem”.

               Ir. Teresa Cristina Potrick, ISJ