quinta-feira, 13 de junho de 2013

Algemas do despreparo

               ALGEMAS DO DESPREPARO


       Aprenda a ver os desafios com um "olhar" de crescimento, não os transforme em prisões que impedem o seu desenvolvimento pessoal

O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você. ( Mario Quintana)

É incrível a capacidade humana de frustrar-se com as situações, das menores contrariedades aos grandes problemas conseguimos extrair algum tipo de lamentação. Em outras espécies animais, uma dificuldade encontrada é apenas mais um obstáculo a ser enfrentado, entre tantos outros na luta pela sobrevivência.

Isso ocorre, por que nós humanos costumamos nutrir um elevado nível de expectativa em torno das pessoas e dos fatos. Sempre esperamos que o outro seja simpático e cooperativo ou, que os nossos projetos na vida atinjam excelentes patamares de sucesso e reconhecimento.
 No entanto, quando a realidade chega e temos que lidar com o que de fato as pessoas são e as situações nos devolvem, nem sempre recebemos o esperado.

Com isso surgem as frustrações que não deveriam ser tão conflitantes, mas sim, construtivas experiências de vida. Só que elas nos abatem, nos fazem muitas vezes crer que a vida não é lá essas coisas, que o mundo não nos valoriza! E por quê? Porque nós também alimentamos um elevado nível de expectativas em relação a nós mesmos, não conseguimos lidar com a nossa própria humanidade, com as nossas limitações.

Assim, criamos um ciclo vicioso de imaturidade. Por exemplo, é bastante comum ouvirmos pessoas dizerem que quando estão muito ansiosas comem mais ou, quando estão muito nervosas com alguma situação no trabalho, acabam extravasando em outros profissionais o seu descontrole. Nessa hora surge o mesmo raciocínio das pessoas que vão em liquidações: “Já que está barato, vou levar mais esse produto”, ou seja, “já que algo deu errado que se dane! Vou comer, vou brigar, vou me descontrolar, já que está tudo uma porcaria mesmo!”

Nesse exato momento você se torna refém de você mesmo, da sua insanidade, da sua incapacidade de crescer e enfrentar as vicissitudes de frente. Assim, somos algemados por nós mesmos, deixamos de atrair o que desejamos e passamos a atrair o que está em sintonia com o nosso próprio desequilíbrio.

E assim, recitando uma vez mais o genial Mário Quintana, narro mais um pensamento seu: “Esta vida é uma estranha hospedaria, de onde se parte quase sempre às tontas, pois nunca as nossas malas estão prontas e a nossa conta nunca está em dia.”

Portanto, cuide bem do seu momento atual, procure deixar as suas malas repletas de utensílios importantes, cuide porém para não levar bagagem extra, como situações ou conflitos mal resolvidos . Viva, não lamente. Até a próxima semana.

                                                                      Lígia Guerra
                                                                      

sábado, 18 de maio de 2013

Os sete dons do Espírito Santo


Os sete dons do Espírito Santo

SABEDORIA
É o dom de perceber o certo e o errado, o que favorece e o que prejudica o projeto de Deus. Por este dom buscamos não as vantagens deste mundo, mas o Bem Supremo da vida, que nos enche o coração de paz e nos faz felizes. Diz o Senhor: "Feliz o homem que encontrou a sabedoria... Ela é mais valiosa do que as pérolas" (Cf. Pr 3,13-15).
ENTENDIMENTO
É o dom divino que nos ilumina para aceitar as verdades reveladas por Deus. Mesmo não compreendendo o mistério, entendemos que ali está a nossa salvação, porque procede de Deus, que é infalível. O Senhor disse: "Eu lhes darei um coração capaz de me conhecer e de entender que Eu sou o Senhor" (Jr 24,7).
CONSELHO
É o dom de saber discernir caminhos e opções, de saber orientar e escutar, de animar a fé e a esperança da comunidade. Mas o Senhor disse-lhe: "Não te deixes impressionar pelo seu belo aspecto, porque eu o rejeitei. O que o homem vê não é o que importa: o homem vê a face, mas o Senhor vê o coração" (1 Sm 16,7).
FORTALEZA
É o dom de resistir às seduções, de ser coerente com o Evangelho, de enfrentar riscos na luta por justiça, de não temer o martírio. São Paulo confiava no dom da fortaleza. Ele disse: "Se Deus está conosco, quem será contra nós?" (Rm 8,31).
 CIÊNCIA
É o dom de saber interpretar e explicar a Palavra de Deus. Por este dom, o Espírito Santo nos revela interiormente o pensamento de Deus sobre nós, pois "os mistérios de Deus ninguém os conhece, a não ser o Espírito Santo" (1 Cor 2,10-15).
PIEDADE
É o dom de estar sempre aberto à vontade de Deus, procurando agir como Jesus agiria e identificando no próximo o rosto de Cristo. É o dom pelo qual o Espírito Santo nos dá o gosto de amar e servir a Deus com alegria. "O Reino de Deus não consiste em comida e bebida, mas é justiça, paz e alegria no Espírito Santo" (Rm 14,17).
TEMOR DE DEUS
Não quer dizer "medo de Deus", mas medo de ofender a Deus. Sendo Ele o nosso melhor amigo, temos o receio de não lhe estarmos retribuindo o amor que lhe é devido. Mais do que temor, é respeito e estima por Deus. "Ouve, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e com todas as tuas forças" (Dt 6,4-5).
 (Basílica N. Sra. Do Carmo - Campinas/SP

domingo, 7 de abril de 2013

Habebus Papam


Habemus Papam
(Já temos Papa)



O pedido de renúncia  do Papa Bento XVI  surpreendeu o mundo.  A sede ficou vacante de 28/02 a 13/03/2013.  Este acontecimento foi alvo de muitas críticas por parte de nossos irmãos não católicos, que diziam: “Agora a Igreja católica  vai acabar é o fim. Esqueceram porém, das palavras de Cristo: 
“... eu te digo que tu és Pedro e sobre  esta pedra edificarei minha Igreja e as portas do inferno nunca prevalecerão contra ela”
( Mt 16, 18 ).
Por outro lado, este acontecimento foi motivo  de busca, de esclarecimento sobre a história da Igreja, dos Papas, etc. Vieram à tona episódios registrados ao longo da história,  esclarecendo que esta renúncia do Papa não foi a primeira, outras a antecederam.
“Habemus Papam” = Já temos Papa. O dia 12 de março de 2013 foi um marco na história da Igreja Católica. O mundo todo estava ansioso na expectativa, da tradicional “fumaça branca”, anunciadora  do novo líder religioso.
A Praça de são Pedro, qual coração de Mãe, acolheu mais de 50 mil pessoas, nem a chuva e nem o frio as demoveu, aí permaneceram firmes, acenando bandeiras, levantando a mãos... Eu me pergunto: Qual é o chefe de Estado que reúne tanta gente, é acolhido dessa forma?
Ao sinal da “Fumaça branca”, os sinos começaram a badalar, o povo ansioso, vibrando,  agora se interroga: Quem seria o escolhido de Deus? De que nação?
Ainda momentos de tensão e espera...  De repente, na janela iluminada se abre a cortina e surge a figura do cardeal argentino  Jorge Mario Bergoglio, agora papa adotando o nome Francisco da América Latina.

             
Muito aplaudido, simpático  e muito emocionado saúda e agradece  o mar humano concentrado na praça e dirige algumas palavras ao público. Dentre as palavras verbalizadas falou forte  a seguinte frase: “ Não pretendo ser intelectual, mestre ou professor, mas quero sim, “ser Pastor para o povo”.  É de líderes assim que a nossa Igreja e não de “profissionais do sagrado”.
“Começamos este caminho, bispo e povo, esse caminho da Igreja de Roma, que é aquela que preside na caridade com todas as Igrejas. Um caminho de fraternidade, de amor e de confiança entre nós. Rezemos sempre por nós, uns pelos outros. Rezemos por todo o mundo, para que seja uma grande fraternidade. O Papa assinalou logo que “desejo que este caminho de Igreja que hoje começamos – me ajudará o meu cardeal vigário aqui presente – seja frutuoso para a evangelização dessa sempre bela cidade”.
 “Gostaria de dar-lhes a benção, mas antes peço um favor. Antes que o bispo abençoe o povo, eu peço para que Deus abençoe o seu Bispo. Façamos em silêncio esta oração de vocês por mim”.
Este gesto foi marcante para mim, o papa dirigindo-se à multidão faz oração pelo papa emérito e depois pede  ao povo para orar em  silêncio pedindo a Deus  por ele. Após uns momentos, o Papa se inclina para receber a bênção de Deus através do  povo.
Sentindo-se confirmado, iluminado e abençoado, volta-se para o grande público para dar a bênção Urbi et Orbi. Urbi et Orbi significa "à cidade de Roma e ao mundo" em português, e é um termo oriundo do latim. 
“Ficamos muito felizes pelo novo Papa, que veio em nome do Senhor e assim bem rapidamente podemos perceber duas virtudes e assim sendo características de Jesus em Francisco, que são a Humildade e a Simplicidade. ∙ Jesus nos ensinava muito sobre essas duas grandes virtudes, ele mesmo expressava em seu caminhar, falar e agir quando evangelizava pelas terras onde passava e nos deixou esses ensinamentos para também bem”.

               Ir. Teresa Cristina Potrick, ISJ

sexta-feira, 15 de março de 2013

José, uma vida escondida


José, uma vida escondida

            São José: um excepcional. Não se fala muito a seu respeito, mas é necessário conhecê-lo bem, porque tem muitas coisas a nos ensinar.
É muito importante descobrir este mistério de José, filho de Davi, de coração real, mas que faz somente pequenas coisas., inserido num bairro, numa sinagoga.

            Nada grandioso, eu diria sem nenhum carisma, nada de milagres, em mesmo de cura.  Algo muito pequeno, em uma vida comunitária muito cheia de amor.

            Quando Jesus dizia: “Que todos sejam um como meu pai e eu somos um” ele poderia ter dito também: “Que vocês sejam um como nós três, Maria. José e eu, somos um”. José viveu esse modelo de família, de comunidade. Se alguém viveu esta unidade de Jesus e de seu Pai, esse é José e também Maria. Eles são, pois, modelo de unidade, muito concreto, muito enraizado.
           
Uma confiança total os unia entre si, e um amor, uma ternura, uma confirmação. Muito inseridos no seu vilarejo, nada de especial distinguia a não ser uma qualidade no aspecto e uma qualidade de acolhimento. Viveram as beatitudes, não falaram apenas. Tudo o que disse, ele viveu e José trabalhava. É um homem conhecido por seu trabalho numa pequena aldeia sem importância, Nazaré; “que pode vir de bom de Nazaré"  indaga Natanael, o intelectual.

Uma vida comunitária de trinta anos, muito escondida; ninguém os conhecia. Uma qualidade de ternura e de amor nada grande, tudo muito pequeno. E, no entanto, naquela época havia os zelotes, havia toda espécie de pessoas descontentes com os romanos, etc. Havia pessoas que tinham sofrido muito.

Mas José, eu credito, pode ensinar-nos muitíssimo a respeito de “como viver o pequeno”,  não como um refúgio diante dos sofrimentos e as lutas do mundo, mas como um meio para todos nós participarmos destes sofrimentos.  Porque se formos fiéis, se vivermos a aliança, se formos fiéis àquele que é pequeno e pobre, como José era fiel, então, o que fizermos terá sentido para todos os que sofrem no mundo.

 Se somos fiéis a uma pessoa que sofre, somos fiéis a cada homem, a cada mulher no mundo. Porque os encontramos ali, precisamente, onde têm necessidade de serem levantados. Por isso, então, aconselho-os ardentemente a conhecer José.
                                                                                                                             Jean Vanier.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013


Milho de Pipoca
                                                  Rubem Alves

A transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação por que devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho de pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro.

O milho de pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer. Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira

.São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosas. Só elas não percebem. Acham que é o seu jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo.O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos.
Dor. Pode ser o fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder o emprego, ficar pobre. Pode ser o fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão, sofrimentos cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso do remédio. Apagar o fogo. Sem fogo, o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação. Pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pensa que a sua hora chegou: vai morrer.
Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz
.Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: Bum! E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, com que ela mesma nunca havia sonhado
.Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.
 A sua presunção e o medo são a dura casca que não estoura. O destino delas é triste. Ficarão duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca e macia. Não vão dar alegria a ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo. 

E você o que é? Uma pipoca estourada ou um piruá?

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Nossa vida se parece com a cebola


Nossa vida se parece com a cebola
        
Na mão de Deus, a vida da gente parece uma cebola. Você tira um uma casca e pensa que atingiu o miolo. Mas não é o miolo. Tem outra casca para tirar. E assim vai.
E enquanto você vai tirando as cascas, lágrimas saem dos seus olhos. Você chora. Abraão chorou muito! E no fim, você descobre que cebola não tem miolo. Só tem casca.

         Assim, durante a caminhada, Deus vai tirando as cascas. A certa altura, você  acha que já atingiu o miolo, o ponto onde tinha de chegar, e grita: “Chegou! Pare! Basta!” Mas a vida não pára, a caminhada continua, Deus não desiste. E você descobre que tem outra casca pra tirar. E assim vai. Você esperneia, reclama e chora. No fim, descobre que a vida não tem miolo. Só tem casca!  Descobre que nós não fomos feitos para nós mesmos, mas para os  outros e para Deus.

         Tudo isso, a gente descobre não de uma vez, mas muito lentamente . Foi através de uma longa e dolorosa caminhada que Abraão  foi perdendo as cascas, os falsos apoios, um depois do outro: Eliezer, Ismael, Isaque...

 Cada vez de novo , ele queria segurar o miolo. Mas era miolo falso. No fim, teve que entregar tudo. Não sobrou mais nada para ele. Nada mesmo! E foi aí que ele ganhou tudo! Descobriu que a gente só consegue a posse segura da vida, quando tiver a coragem de entregá-la sem reserva na mão de Deus.

         Enquanto não chegarmos a isso, não seremos inteiramente livres, pois ainda não chegamos a vencer em nós o velho Adão, a raiz do mal. Aliás, nós  nunca vamos conseguir que Deus se adapte a nós e aos nossos planos. Nunca! A não ser que nós, primeiro, nos entreguemos  a Ele e permitamos que Ele nos tire as cascas. Aí, sim, Ele será nosso, ficará do nosso lado e estará às nossas ordens, e nos poderemos contar com Ele e com o seu poder divino na luta contra a injustiça e a maldição

Aí seremos realmente livres, capazes de libertar, porque Deus nos libertou. Seremos como Abraão: “ uma fonte de bênção para todos” (Gn 12, 2 )

           ( Livro: Abraão e Sara – Carlos Mesters)






sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Para um momento, Peregrino!



             Para um momento,

                    peregrino!


           

Para:
Na tua peregrinação exterior ver,
Sentir e saborear,
a viagem que é a vida!

Um momento:
Intenso. Eterno. Iluminador.
Sempre.
Cada dia. Em todas as coisas.

Escuta!
O profundo ressoar de vozes,
 sentimentos e anseios.
Ventos que sussurram:
 Venha a mim e beba!
Vem, Senhor Jesus!

Saboreia!
O repouso,
o abraço,
o encontro.
Nele vivemos, nos movemos e existimos.

A Trindade!
No fundo do meu poço,
(intimior intimo meo)
A nascente,
 a luminosidade,
 a brisa.
Sorriso, amor e paz.
 O Dom.

A Reverência!
Em todas as coisas e em cada dom.
Admiração humilde,
amor agradecido,
grandes desejos
de louvar, servir e viver em Comunhão!

Manuel Eduardo Iglesias, SJ