segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Levanta-te e vai...


Preparando a “tenda”, isto é o coração para o encontro com o Senhor. Aquiete seu coração... respire lentamente algumas vezes... Imagine-se num deserto... imensidão... paz... silêncio... areia... ar quente... céu muito azul... o sol brilhando sobre as dunas... Ao deserto vai-se pobre e sozinho/a, deixa-se tudo, não se leva nem coisas, nem pessoas podem acompanhar-nos. Um deserto que é cheio de vida para quem traz a vida. Coloque-se diante do mistério de Deus. A única voz que devemos escutar é a que nos diz: “ Eu estou contigo”. Invoque o Espírito Santo para que Ele ilumine e conduza sua experiência de oração.
Graça a pedir: - Aumento de fé, cura das enfermidades físicas e espirituais e um coração sensível, aberto e agradecido a tantos dons recebidos do Criador.
Texto: Lc 17, 11 – 19. Leia o texto bem devagar, como que saboreando cada palavra, cada frase.

1. Dez leprosos foram ao encontro de Jesus, pedindo a cura. Todos nós sabemos que a lepra é uma doença terrível. O fato de carcomer a pessoa destrói suas relações, levando-a ao isolamento, a distanciar-se do convívio das outras pessoas..
No tempo de Jesus a Lei prescrevia que o leproso era obrigado a afastar-se completamente de qualquer outro ser vivo; devia anunciar sua presença pavorosa fazendo soar um guizo ou campainha.
Esta lepra talvez fosse apenas o símbolo de outra lepra oculta, mais grave, mais universal e não ousamos reconhecer. Todos/as nós somos portadores dessa enfermidade.
Um dos indícios é a solidão; vamos nos isolando temos medo uns dos outros/as, ferimos, agredimos, com palavras ou atitudes, cobramos e destruímos.
Isto acontece nos negócios, nas repartições públicas, na Igreja, nos conventos, entre o clero e até na própria família. Cada um constrói suas trincheiras para defender-se da competição, de alguém que ultrapasse o seu interior. Somos necessitados/as, carentes de ser curados dessa lepra..Os leprosos do Evangelho são uma amostra da nossa sociedade.

2. Os dez leprosos carentes de tudo lembraram-se de Jesus e buscam com ele a cura e gritam: - Jesus, Mestre, tem compaixão de mim. Ao ouvirem a orientação de Jesus para que fossem apresentar-se ao sacerdote, ficam desiludidos porque o Senhor não realiza com eles o milagre; entretanto, pelo caminho se deram conta de que seus membros recuperavam a vida, seus dedos retorcidos voltavam a estirar-se e sua pele retomava a cor. Você confia verdadeiramente que Jesus pode curá-lo/a de suas enfermidades? Peça com muita fé.
3. Um só voltou para agradecer...
Este não havia aprendido na lei; o Evangelho nos diz que era um “samaritano”, alguém que já trazia a marca do preconceito. Talvez tenha sido o único a ser realmente curado, porque compreendeu o que é a “gratidão”, seu coração ressecado pela lepra interior perdeu suas “crostas” e a vida renasceu.
Em um mundo de competição, de concorrências, de mercado, de medidas precisas, de eficiência, torna-se difícil conservar o sentido do dom e o valor do gratuito. Falta-nos hoje o canto do agradecimento. É necessário limpar os próprios olhos e reconhecer o que é dádiva do Criador: a vida, a fé, os bens da terra, a amizade e muitas outras coisas.
“ E os outros nove, onde estão?” eles não sabiam agradecer.Só aquele que transita por esta vida com um sentimento de verdadeiro agradecimento olha os demais com olhos limpos; não se sente agredido e não julga necessário agredir os outros para triunfar; pode sentir-se verdadeiro filho de Deus e tratar como seu irmãos toda a pessoa que dele se aproxima. Aproveite para se aproximar do outro com os olhos limpos e coração aberto, capaz de reconhecer a gratuidade do Senhor através de tantos e tantos dons.
Quem sabe a nossa fé continua um pouco infantil, subnutrida... E nossa confiança em Deus pode e deve crescer, ficar mais adulta. Jesus diz:
“Levanta-te e vai... A tua fé te salvou”!...

Terminada a oração, reveja brevemente como se saiu nela, perguntando-se:
• O que mais me tocou nesta oração?
• Que sentimento predominou em mim?
• Senti algum apelo, desejo, inspiração?
• Tive alguma dificuldade ou resistência?

Agradeça ao Senhor as iluminações e toques recebidos e percebidos durante esta sua experiência de oração, renove sua fidelidade a Jesus. Reze um Pai-Nosso ou outra oração que você goste; registre no seu caderno-vida aquilo que ficou mais forte em seu coração.

Ir. Teresa Cristina Potrick,ISJ

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Seja um "suporte"


Entre em seu “espaço sagrado”, esse tempo é totalmente seu e não pode ser atrapalhado por ninguém. Aí você está em contato consigo mesmo e com Deus, com a dimensão sagrada dentro de você.
Neste tempo em que você está conectado consigo mesmo e com Deus, lhe faz bem... revigora suas forças e você volta a ser inteiro. Ele cura suas feridas e ilumina seu interior naquilo que se enturvou.
Invoque o Espírito Santo para que ele ilumine e conduza sua experiência de oração.
Graça a pedir: - Sair dos estreitos limites do meu túnel e caminhar a altura da vocação que recebi..

Texto que pode iluminar: Ef 4, 1 – 7.
Leia o texto bem devagar como que saboreando cada palavra. Permaneça na palavra ou versículo que mais tocou seu coração.

1º Momento: “ ...vos exorto a caminhardes de acordo com a vocação que recebestes: com toda a humildade e mansidão...”.
Fui chamado/a à vida; a ser filho/a de Deus; criado/a à sua imagem e semelhança; escolhido/a, abençoado/a, consagrado/a e enviado/a a ser “luz das nações”. Todos os dias o Senhor vai dando seus toques de mil maneiras para eu alargar a minha tenda, sair dos estreitos limites do meu túnel...
Será que estou me dando conta de tudo isso? Minhas atitudes revelam humildade, mansidão junto às pessoas, junto à minha família, junto à minha comunidade? Em que posso melhorar?
2º Momento: “ suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor... “.
Consideremos a palavra” suportar” não no sentido de “tolerar”, “agüentar” porque não tem outro jeito, mas na ótica de “sustentar”, estender a mão, levantar, apoiar aquele que caiu e precisa de ajuda. Ser um suporte para que o outro possa se conhecer, crescer como pessoa, fazendo parte e uma família, de um grupo, de uma comunidade.
Santo Inácio de Loyola sem ser psicólogo, descobriu as profundezas da pessoa humana, para assim poder ajudá-la a conhecer-se. Crescer e gerar novos modos de se relacionar com ela mesma, com os outros, com a natureza e com Deus.
Ele reconheceu a necessidade do discernimento e da análise da realidade, como meios para ir descobrindo a cada dia quem sou; que sentido tem minha vida e o que devo fazer pelo bem das demais pessoas.
Como percebo as pessoas que convivem comigo? Procuro ser esse “suporte”, dar um empurrãozinho, algumas dicas para que se liberte de seu túnel, de seu comodismo, de seu fechamento?
Converse com Jesus... peça um coração manso e humilde como o dele; que ele lhe ensine como se achegar, como falar, o que falar, como ajudar as pessoas a fim de que possam fazer o Reino de Deus acontecer...
Terminada a oração, reveja brevemente como se saiu nela, perguntando-se:
• O que mais me tocou nesta oração?
• Que sentimento predominou em mim?
• Senti algum apelo, desejo, inspiração?
• Tive alguma dificuldade ou resistência?

Agradeça ao Senhor as iluminações e toques recebidos e percebidos durante esta sua experiência de oração, renove sua fidelidade a Jesus. Reze um Pai-Nosso ou outra oração que você goste; registre no seu caderno-vida aquilo que ficou mais forte em seu coração.

Ir. Teresa Cristina Potrick,ISJ

domingo, 12 de setembro de 2010

Um povo de cabeça dura


Comece a preparar o seu “lugar sagrado”... É o lugar do encontro íntimo e pessoal com Deus. Coloque-se diante do mistério de Deus. Pacifique o seu coração... Respire lenta e profundamente algumas vezes... Desligue-se de tudo quanto possa interferir neste seu encontro profundo com o Criador... Jesus recomenda: “ ...entre no seu quarto, feche a porta, e reze ao Pai ocultamente...” ( Mt, 6,6 ). Invoque o Espírito Santo para que Ele ilumine e conduza sua experiência de oração.

Graça a pedir: - Que o Senhor ocupe o seu lugar verdadeiro em meu coração e que aos poucos, eu me liberte dos ídolos que em minha vida vão ocupando o lugar devido somente a Deus.

Texto que vai iluminar minha oração: Ex 32, 7 – 11.13-14.
Leia o texto bem devagar, como que saboreando, permanecendo na palavra ou versículo que mais chama sua atenção.

1. “Vai” - aponta a direção, mostra o caminho, saia do centro, alargue o espaço de tua “tenda” ... não é aqui... é mais além...
“Desce” – é um convite a descer ao meu núcleo interior, no meu ser profundo e dar-me conta do que acontece aí, qual é o meu referencial? Que lugar ocupa o Criador em meu coração e na vida das pessoas? Será que a ambição, a ganância, a fama, o desejo do poder, da projeção, não me fazem subir colocando-me acima dos demais, julgando-me “melhor”, mais inteligente, mais culto/a, mais sábio/a etc. É preciso descer., reconhecer minhas limitações e entraves.
Quais os “bezerrinhos de ouro” que fui fabricando, colocando e cultuando em meu coração? Que lugar ocupa aquele que me criou, o Verdadeiro Deus, aquele que me ama e cuida de mim com tanto carinho?

2. “ Vejo que este é um povo de cabeça dura” (v. 9 ).
Esta mesma queixa o Senhor dirige a nós também: temos cabeça dura e memória curta... Bem depressa nos esquecemos, nos desviamos dos caminhos e dos ensinamentos do Senhor, seduzidos/as pelo “canto de tantas sereias” por aí, tais como: a Bíblia é um livro antiquado, ultrapassado; precisamos de conceitos mais novos, hoje é outro tempo. Jesus é um revolucionário, um “pregador” intransigente, um mestre de moral, mais um, na lista dos “gurus”, etc. Isto tudo, já era...

Deus é Pai, Deus nos ama, não castiga, mas como ao povo de Israel, Ele continua chamando nossa atenção através de fortes sinais, como: terremotos, erupção de vulcões, catástrofes, tragédias, inundações, secas, etc. Mas, o ser humano, em sua insensibilidade não se deixa tocar e continua: comendo, bebendo, fazendo festas, se divertindo, gozando, dançando, explorando, matando, roubando, colocando uma venda nos olhos e um cadeado em seu coração.

3. Deus é Pai... Deus nos ama.
“Basta que eu volte... ele não me pergunta onde estive”.
Diante da súplica de Moisés, o Senhor desiste do mal que havia ameaçado fazer ao povo. Como Moisés, supliquemos a Deus que nos perdoe e tenha compaixão de nossos desvios e nos torne: - “ herdeiros/as da bênção” !

Terminada a oração, reveja brevemente como se saiu nela, perguntando-se:
• O que mais me tocou nesta oração?
• Que sentimento predominou em mim?
• Senti algum apelo, desejo, inspiração?
• Tive alguma dificuldade ou resistência?

Agradeça ao Senhor as iluminações e toques recebidos e percebidos durante esta sua experiência de oração, renove sua fidelidade a Jesus. Reze um Pai-Nosso ou outra oração que você goste; registre no seu caderno-vida aquilo que ficou mais forte em seu coração.

Ir. Teresa Cristina Potrick,ISJ

sábado, 11 de setembro de 2010

Um coração liberto


Prepare o seu coração para o encontro com a Trindade Santa. Entre em seu quarto e feche a porta, isto é, em seu coração... Acalme sua mente e desligue-se de tudo quanto possa desviar sua atenção do Senhor... Respire lenta e profundamente algumas vezes... Invoque o Espírito Santo para que Ele ilumine e conduza sua experiência de oração.
Graça a pedir: - Um coração livre de tantos condicionamentos, esquemas mentais e idéias que me amarram e me impedem de alargar meus horizontes no anúncio do reino.
Texto: I cor 4, 1 – 5.
1. Quanto à mim, pouco me importa ser julgado por vós ou por algum tribunal humano. Nem eu me julgo a mim mesmo ( v. 3)
Isto é ser livre. Que exemplo temos no apóstolo São Paulo, nós que muitas vezes, em nosso modo de agir, deixamos de fazer o bem, de crescer como seres humanos, de colaborar na construção do Reino, por pensar: - O que os outros vão pensar, vão dizer de mim? Se eu fizer assim vou desagradar alguém; se eu questionar certas atitudes vou perder a amizade; se eu falar de Deus, vão me taxar de “carola”. Agir deste modo é imaturidade...
Ser livre não é fazer o que se quer e como se quer, o que dá na cabeça... Isto seria deixar-me conduzir “pelas afeições desordenadas”, pelo voluntarismo, um idolatria do ego. Jesus nos diz:” ... e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.(Jo 8,32)
Diante de certos acontecimentos temos pressa, usurpamos um atributo exclusivo de Deus que é - o julgamento.

2. Quem julga é o Senhor. (v.5 )
Portanto não queirais julgar antes do tempo. Aguardai que o Senhor venha ... Cabe a cada um/a de nós confiar ao Senhor o julgamento. “Não julgueis para que não sejais julgados. Pois com o mesmo critério com que julgardes, sereis julgados; e com a mesma medida com que tiverdes medido vos medirão também”. MT 7, 1 – 2 )
Deus tem a visão do todo e eu apenas uma visão limitada das pessoas e das coisas.
“Ele iluminará o que estiver escondido nas trevas e manifestará os projetos dos corações”. Peçamos ao Senhor que aumente a nossa fé; que a Palavra de Deus se faça verdade em nós. Tudo que estiver oculto será manifesto.

3. “ Então cada um receberá de Deus o louvor que tiver merecido”. Para Ele, nada passa despercebido, e Ele nos dará “uma medida recalcada, sacudida, transbordante generosamente vos dará...”.
"... e teu Pai, que vê o escondido, recompensar-te-á” (MT 6, 4).

Terminada a oração, reveja brevemente como se saiu nela, perguntando-se:
• O que mais me tocou nesta oração?
• Que sentimento predominou em mim?
• Senti algum apelo, desejo, inspiração?
• Tive alguma dificuldade ou resistência?

Agradeça ao Senhor as iluminações e toques recebidos e percebidos durante sua experiência de oração, renove sua fidelidade a Deus. Anote no seu caderno-vida aquilo que mais falou ao seu coração nesta experiência de oração.

Ir. Teresa Cristina Potrick, ISJ

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O mistério do chamado


Dirigente: - Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo ...( Cantado).
Sai da tua terra... deixa... vai... para onde eu te mostrarei...

Aspirante: No silêncio do coração, ao longo do meu caminho... uma voz eu escutei: Oh! Não me deixes sozinho a ceifar o que plantei. Vem, vem me ajudar, com muito amor tudo se faz!

Todos: Canto:- Vocação: - Pe. Zezinho
1.Se ouvires a voz do vento, chamando sem cessar.
Se ouvires a voz do tempo, mandando esperar:
A decisão é tua (bis). São muitos os convidados (bis).
Quase ninguém tem tempo. Quase ninguém tem tempo...
2. Se ouvires a voz de Deus, chamando sem cessar.
Se ouvires a voz do mundo, querendo te enganar:
3. O trigo já se perdeu... Cresceu, ninguém colheu.
E o mundo passando fome, passando fome de Deus:

Aspirante: - O Deus que me criou, me quis e me envia a anunciar a boa Nova ao mundo, a ser sinal do seu grande amor a todos, onde quer que eu esteja.

Todos: - Ao longo do meu caminho, uma voz eu escutei... Oh! Não me deixes sozinho, a ceifar o que plantei. Vem, vê, me ajudar, com muito amor tudo se faz.

Aspirante: - Tive medo, Senhor... Muito medo! Deixar minha família, meus amigos, meu trabalho, tantas facilidades, tantas boas ofertas que o mundo oferece... tantas, tantas coisas... Não, não Senhor, tenho medo!

Todos: - Canto: Teimosia - Pe. Irala

Aspirante: - Muitos já me disseram: por trás desse mar não há vida nenhuma, nem terra habitada; não suba esse morro, não vá nesse vale, não vá nessa estrada....Mas, eu vou... eu vou!

Todos: - Ao longo do meu caminho uma voz eu escutei: Oh! Não me deixes sozinho a ceifar o que plantei. Vem, vem me ajudar, com muito amor tudo se faz!

Aspirante: - Muitos já me disseram: que a vida que eu levo não vale a saudade, nem vale a esperança; que nada compensa ouvir o chamado do Deus da Aliança! Mas, eu vou... eu vou!

Dirigente: - Mas, o Senhor... insiste!

Todos: - Ao longo do meu caminho, uma voz eu escutei: Oh! Não me deixes sozinho, a ceifar o que plantei. Vem, vem me ajudar, com muito amor tudo se faz!

1 - Nada temas, pois eu te conheço... e tu tens um preço, eu te amo, és minha. Quando avançam teus inimigos eu estou contigo: Sou o Emanuel...

Aspirante: - Mas, eu vou... eu vou!

1. - “Não temas, pois estou contigo... Só te resta viver a esperança e ter confiança: minha filha, és minha.

Todos: - Oh! Não me deixes sozinho a ceifar o que plantei. Vem, vem me ajudar, com muito amor tudo se faz.

Leitor: - Mc 10, 17 – 22.
(Momentos de interiorização).

Todos: - Canto: Tu me cativaste, meu Deus e Senhor.
Tu me cativaste meu Deus e Senhor,Eu já não consigo esquecer teu amor( bis)
1.Estreito é o caminho é preciso saber. Andar entre espinhos e rosas colher.
Deixar redes, barcos, a vida perder. Deixar o dinheiro riquezas não ter.
2.O Reino é semente de trigo no chão. Que morre gerando a ressurreição.
É luta constante em favor do irmão. É luz, é fermento, é água, é pão...
3.A vida é tão breve um sonho fugaz. Daqui só se leva o bem que se faz Senhor Jesus Cristo. Meu Deus e Senhor. Ensina de novo o caminho do amor.

Dirigente: - Partilha em forma de preces ...

2. O que tu deixas, já bem conheces... mas, o teu Deus o que te dá? “Um grande povo, a terra, a promessa... O cêntuplo a mais e a eternidade”.

Dirigente: - Portanto, querida ... Sai... deixa... parte... vai com muita fé no teu Senhor, o que tu levas é muito mais...: “Anunciar a Boa Nova do Evangelho aos povos”.

( Para a benção, a aspirante se coloca de joelhos e toda a assembléia estende as mãos sobre ela, rezando:)

Bênção de Envio

Assim como o Pai me amou e me enviou.
Eu também te amo e te envio...
Isto é uma ordem:
Sê forte e corajoso/a, não te acovardes, não tenhas medo,
porque Eu, o Senhor, teu Deus, estarei contigo
onde quer que fores ( Josué 1, 9).
Vou adiante de ti, para mostrar-te, o caminho.
Atrás de ti para te proteger.
Ao lado de ti, para te amparar.
Abaixo de ti, para te sustentar.
E acima de ti para te abençoar!
Vai em paz... em nome da Trindade Santa: Do Pai que te criou,
do filho que te resgatou e do Espírito Santo que te santificou.
Abençoada, podes partir,
sendo uma bênção para todos! Amém!


Canto: - Eis-me aqui, Senhor!

Elaborada por: Ir. Teresa Cristina Potrick, ISJ

(Inspirada nos cantos: Teimosia – Pe. Irala ;
Ao longo do meu caminho – José Raimundo Galvão).

sábado, 7 de agosto de 2010

O Toque do Mestre


Prepare o seu coração para o encontro com a Trindade... Procure um lugar tranqüilo. Aquiete seu coração... sua mente... sua vontade... Respire lenta e profundamente algumas vezes... Invoque o Espírito Santo para que ele ilumine e conduza este momento de oração.

Pedir a graça: Pedir é dispor-se a receber a Palavra, o Espírito, a Luz do Senhor; pedir a graça de uma maior consciência da grandeza da escolha e do chamado a seguir o Mestre.

A vocação é uma relação de amor para com Deus e a humanidade. Vocação não é como um objeto que eu possuo, alguma coisa que coloco no bolso da calça e acabo perdendo porque o bolso está furado. Não é como um chapéu que o vento carrega logo na primeira tempestade, ou como a roupa que guardo no armário e visto quando estou a fim.

Texto que pode iluminar a oração: Lc 5, 1 - 11
Ler o texto com atenção, bem devagar, como que saboreando cada palavra ou versículo que mais lhe tocou o coração. Permanecer aí até que a esta palavra desça ao profundo, que ressoe, que seja realmente recebida e compreendida.

Cada vocação é tema de íntimo diálogo trinitário, do Pai, do Filho e de uma missão especial do Espírito Santo. Vocação é uma relação viva e dinâmica de amor para com Deus e os outros. Como qualquer relação, trata-se de uma história feita de conquistas e frustrações, entusiasmos e decepções, traições e provas de fidelidade.

É um caminho difícil, cheio de dificuldades. Dificuldades essas que podem purificar o relacionamento, tornando-o mais autêntico e profundo, como podem também comprometê-lo definitivamente.

Não existe uma verdadeira relação de amor sem comunicação. Por isso, vocação é antes de tudo diálogo. Deus fala e eu respondo. Deus interpela e eu me comprometo. Deus me indica o caminho e eu percorro. Deus me mostra o projeto e eu me deixo modelar aos poucos, até me transformar na obra de arte que Ele imaginou desde sempre.

Fruto do amor, o diálogo é sempre novo, cheio de surpresas. Nunca tem fim, porque o amor não se esgota. No diálogo, as palavras deixam lugar para os gestos pelos quais o Pai revela o seu Projeto de amor, que pensou para cada um/a de nós.

A vocação é também uma relação de amor para com os outros, as pessoas com quem eu convivo, a humanidade inteira. A relação com Deus Pai me abre ao conhecimento do outro como irmão. A contemplação do Deus-feito-homem me leva a sair de mim mesmo e a me fazer “ dom” para a comunidade. A obediência ao Espírito Santo me contagia com um amor que desconhece fronteiras.

Os discípulos já confiavam bastante em Jesus – “Deixem tudo ... Eu os farei pescadores de homens”... Essas palavras podiam ser para os discípulos, um tanto estranhas. O chamado feito, não é para algo concreto, mas simplesmente para segui-lo. Jesus é o ponto de convergência das multidões.

Partilhe como Senhor um pouco do que você carrega no seu interior. Recorde algum momento difícil de sua vida no qual você sentiu a presença de Deus que alivia e cura. Agradeça por essa experiência.

O Criador conta com você para continuar a recriar, a construir e a fazer a vida germinar e produzir frutos.

Termine sua oração dando graças a Deus por tudo aquilo que foi vida, iluminação, toque, questionamento. Converse com Deus como um amigo fala ao amigo. Reze um Pai-Nosso ou outra oração de sua inspiração ou com o canto: Chamaste- me para caminhar na vida contigo. Registre no seu caderno vida, tudo o que foi marcante em sua oração. Fique em paz na presença do Senhor!

Ir. Teresa Cristina Potrick, ISJ

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A Criação e o discernimento


O discernimento está na origem do homem, do ser humano. Deus querendo parceiros de amor e não marionetes ou robôs manipuláveis devia dotar o homem de liberdade. “Deus quer deixar ao homem o poder de discernir” (Eclo 15, 14), para que assim procure espontaneamente o seu Criador, a ele adira livremente e chegue à perfeição plena e feliz.
“Desde o princípio, Deus criou o homem e o entregou ao poder de suas próprias decisões”
(Eclo 15, 14).
O “livre-arbítrio” não é tanto o poder de escolher entre um vestido e outro, entre uma atividade e outra. Tudo isto é superficial; na sua radicalidade o livre-arbítrio é o poder de escolher entre amar ou não amar; entre a vida ou morte; entre a bênção ou a maldição.
Deus quer a nossa felicidade e sabe que só a encontramos no caminho do amor. Indica-nos o caminho, mas nos deixa livres de trilhá-lo. Ele nos criou por amor e para o amor. Se livremente respondermos ao seu amor, seremos plenamente realizados/as e felizes.
Santo Inácio foi uma pessoa de grandes desejos. Quando jovem, desejava fama, sucesso e até mesmo o amor de uma mulher nobre. Depois da conversão, seu grande desejo era estar com Cristo e fazer tudo para a Maior Glória de Deus.
Santo Inácio matriculou-se na escola de Deus, deixou-se conduzir por ele e tornou-se o “grande mestre do discernimento”. O Deus de Jesus Cristo é o único que nos dá horizontes para classificar nossas “moções”.
O discernimento é o núcleo central da espiritualidade inaciana. Para sermos fiéis à vontade de Deus é necessário uma constante atitude de discernimento... O que é discernimento?
“Discernimento é a ousadia de deixar-se conduzir pelo Espírito. É perceber, distinguir a voz de Deus no meio de um coro de vozes”. É estar muito atento/a às vozes interiores e exteriores que nos cercam e sobretudo às vozes que gritam no nosso interior. Dentro de nós estão presentes duas forças que se digladiam, duas correntes contrárias.
O discernimento desvela para mim o papel do Bom Espírito (BE), o comportamento do Mau Espírito (ME) e a minha própria liberdade. Os espíritos (BE e ME), contudo, se manifestam em forças ou impulsos - de um lado e em expressões ou veículos – de outro. Denominamos esses impulsos, iluminações, cliques, “moções” quando nos vêm do BE e “artifícios “ ou “tretas” quando nos vêm do ME. A palavra ”moção” vem do latim ”movere” que significa mover. As moções que vêm do BE me levam para Deus e ao seu Reino. As moções do BE me levam a fazer o bem, vêm da ação da graça. Contrariamente, tudo o que me afasta de Deus e do seu Reino vêm do ME, mau espírito, é denominado “artifício” ou “treta”; são armadilhas, tentações, que me levam a fazer o mal, portanto me afastam de Deus.
As “moções espirituais” vêm ao meu coração, à minha mente, independente do meu querer, vêm de fora.
Os impulsos se exprimem em dois estados básicos: a consolação e a desolação. Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio nos ensinam que discernir supõe, num primeiro momento, prestar atenção e saber “dizer” qual é o meu estado espiritual. O que estou sentindo? ( Não o que estou pensando...) consolação ou desolação...
Consolação : - Há consolação quando se experimentam os movimentos interiores por meio dos quais nos sentimos plenos de amor pelo Senhor, quando temos desejos fortes e lágrimas pelas coisas de Deus ou dirigidas para a construção do Reino. Todo o aumento de fé, de esperança e de amor é consolação, o mesmo ocorrendo com toda a alegria interior.
Desolação – Há desolação quando ocorre o contrário: obscuridade, perturbação, inclinação para as coisas do espírito deste mundo... Inquietação... Movimentos de desconfiança e de perda de esperança; sensação de fraqueza e de tristeza; sentimentos de separação de Deus.
Duas perguntas podem ajudar no discernimento:
- O que experimento ( o que estou sentindo?) A chave de leitura não é o pensamento e sim o sentimento.
- Aonde isto me leva?
Me leva para Deus ou me afasta?
O discernimento torna a pessoa livre interiormente... não se aprisiona à sua realização pessoal.
• Qual é o referencial de minha vida?
• Gosto ou não gosto? Isto não me realiza...
É importante o conhecer-se interiormente... Quais são as minhas feridas, o
“ meu sentir ferido”... O processo de “libertação interior” é muito lento... Os condicionamentos estão ligados às moções, desolações e apegos... Fácil é perceber as moções; o difícil é perceber os artifícios, os impulsos do mau espírito ( ME).
A realização pessoal no discernimento é conseqüência... Muitas vezes apela-se tanto para a realização pessoal e isto faz com que se passe à margem do Plano de Deus. Não sei se o chamado de Deus leva à realização pessoal? Leva sim, mas em outro nível. Na vida espiritual é muito importante saber distinguir claramente o que é um
”estado espiritual” em contraste com um estado fisiológico ( a dor, por exemplo) ou psíquico( depressão, ansiedade, etc. ).

Ir. Teresa Cristina Potrick, ISJ