domingo, 12 de setembro de 2010

Um povo de cabeça dura


Comece a preparar o seu “lugar sagrado”... É o lugar do encontro íntimo e pessoal com Deus. Coloque-se diante do mistério de Deus. Pacifique o seu coração... Respire lenta e profundamente algumas vezes... Desligue-se de tudo quanto possa interferir neste seu encontro profundo com o Criador... Jesus recomenda: “ ...entre no seu quarto, feche a porta, e reze ao Pai ocultamente...” ( Mt, 6,6 ). Invoque o Espírito Santo para que Ele ilumine e conduza sua experiência de oração.

Graça a pedir: - Que o Senhor ocupe o seu lugar verdadeiro em meu coração e que aos poucos, eu me liberte dos ídolos que em minha vida vão ocupando o lugar devido somente a Deus.

Texto que vai iluminar minha oração: Ex 32, 7 – 11.13-14.
Leia o texto bem devagar, como que saboreando, permanecendo na palavra ou versículo que mais chama sua atenção.

1. “Vai” - aponta a direção, mostra o caminho, saia do centro, alargue o espaço de tua “tenda” ... não é aqui... é mais além...
“Desce” – é um convite a descer ao meu núcleo interior, no meu ser profundo e dar-me conta do que acontece aí, qual é o meu referencial? Que lugar ocupa o Criador em meu coração e na vida das pessoas? Será que a ambição, a ganância, a fama, o desejo do poder, da projeção, não me fazem subir colocando-me acima dos demais, julgando-me “melhor”, mais inteligente, mais culto/a, mais sábio/a etc. É preciso descer., reconhecer minhas limitações e entraves.
Quais os “bezerrinhos de ouro” que fui fabricando, colocando e cultuando em meu coração? Que lugar ocupa aquele que me criou, o Verdadeiro Deus, aquele que me ama e cuida de mim com tanto carinho?

2. “ Vejo que este é um povo de cabeça dura” (v. 9 ).
Esta mesma queixa o Senhor dirige a nós também: temos cabeça dura e memória curta... Bem depressa nos esquecemos, nos desviamos dos caminhos e dos ensinamentos do Senhor, seduzidos/as pelo “canto de tantas sereias” por aí, tais como: a Bíblia é um livro antiquado, ultrapassado; precisamos de conceitos mais novos, hoje é outro tempo. Jesus é um revolucionário, um “pregador” intransigente, um mestre de moral, mais um, na lista dos “gurus”, etc. Isto tudo, já era...

Deus é Pai, Deus nos ama, não castiga, mas como ao povo de Israel, Ele continua chamando nossa atenção através de fortes sinais, como: terremotos, erupção de vulcões, catástrofes, tragédias, inundações, secas, etc. Mas, o ser humano, em sua insensibilidade não se deixa tocar e continua: comendo, bebendo, fazendo festas, se divertindo, gozando, dançando, explorando, matando, roubando, colocando uma venda nos olhos e um cadeado em seu coração.

3. Deus é Pai... Deus nos ama.
“Basta que eu volte... ele não me pergunta onde estive”.
Diante da súplica de Moisés, o Senhor desiste do mal que havia ameaçado fazer ao povo. Como Moisés, supliquemos a Deus que nos perdoe e tenha compaixão de nossos desvios e nos torne: - “ herdeiros/as da bênção” !

Terminada a oração, reveja brevemente como se saiu nela, perguntando-se:
• O que mais me tocou nesta oração?
• Que sentimento predominou em mim?
• Senti algum apelo, desejo, inspiração?
• Tive alguma dificuldade ou resistência?

Agradeça ao Senhor as iluminações e toques recebidos e percebidos durante esta sua experiência de oração, renove sua fidelidade a Jesus. Reze um Pai-Nosso ou outra oração que você goste; registre no seu caderno-vida aquilo que ficou mais forte em seu coração.

Ir. Teresa Cristina Potrick,ISJ

sábado, 11 de setembro de 2010

Um coração liberto


Prepare o seu coração para o encontro com a Trindade Santa. Entre em seu quarto e feche a porta, isto é, em seu coração... Acalme sua mente e desligue-se de tudo quanto possa desviar sua atenção do Senhor... Respire lenta e profundamente algumas vezes... Invoque o Espírito Santo para que Ele ilumine e conduza sua experiência de oração.
Graça a pedir: - Um coração livre de tantos condicionamentos, esquemas mentais e idéias que me amarram e me impedem de alargar meus horizontes no anúncio do reino.
Texto: I cor 4, 1 – 5.
1. Quanto à mim, pouco me importa ser julgado por vós ou por algum tribunal humano. Nem eu me julgo a mim mesmo ( v. 3)
Isto é ser livre. Que exemplo temos no apóstolo São Paulo, nós que muitas vezes, em nosso modo de agir, deixamos de fazer o bem, de crescer como seres humanos, de colaborar na construção do Reino, por pensar: - O que os outros vão pensar, vão dizer de mim? Se eu fizer assim vou desagradar alguém; se eu questionar certas atitudes vou perder a amizade; se eu falar de Deus, vão me taxar de “carola”. Agir deste modo é imaturidade...
Ser livre não é fazer o que se quer e como se quer, o que dá na cabeça... Isto seria deixar-me conduzir “pelas afeições desordenadas”, pelo voluntarismo, um idolatria do ego. Jesus nos diz:” ... e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.(Jo 8,32)
Diante de certos acontecimentos temos pressa, usurpamos um atributo exclusivo de Deus que é - o julgamento.

2. Quem julga é o Senhor. (v.5 )
Portanto não queirais julgar antes do tempo. Aguardai que o Senhor venha ... Cabe a cada um/a de nós confiar ao Senhor o julgamento. “Não julgueis para que não sejais julgados. Pois com o mesmo critério com que julgardes, sereis julgados; e com a mesma medida com que tiverdes medido vos medirão também”. MT 7, 1 – 2 )
Deus tem a visão do todo e eu apenas uma visão limitada das pessoas e das coisas.
“Ele iluminará o que estiver escondido nas trevas e manifestará os projetos dos corações”. Peçamos ao Senhor que aumente a nossa fé; que a Palavra de Deus se faça verdade em nós. Tudo que estiver oculto será manifesto.

3. “ Então cada um receberá de Deus o louvor que tiver merecido”. Para Ele, nada passa despercebido, e Ele nos dará “uma medida recalcada, sacudida, transbordante generosamente vos dará...”.
"... e teu Pai, que vê o escondido, recompensar-te-á” (MT 6, 4).

Terminada a oração, reveja brevemente como se saiu nela, perguntando-se:
• O que mais me tocou nesta oração?
• Que sentimento predominou em mim?
• Senti algum apelo, desejo, inspiração?
• Tive alguma dificuldade ou resistência?

Agradeça ao Senhor as iluminações e toques recebidos e percebidos durante sua experiência de oração, renove sua fidelidade a Deus. Anote no seu caderno-vida aquilo que mais falou ao seu coração nesta experiência de oração.

Ir. Teresa Cristina Potrick, ISJ

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O mistério do chamado


Dirigente: - Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo ...( Cantado).
Sai da tua terra... deixa... vai... para onde eu te mostrarei...

Aspirante: No silêncio do coração, ao longo do meu caminho... uma voz eu escutei: Oh! Não me deixes sozinho a ceifar o que plantei. Vem, vem me ajudar, com muito amor tudo se faz!

Todos: Canto:- Vocação: - Pe. Zezinho
1.Se ouvires a voz do vento, chamando sem cessar.
Se ouvires a voz do tempo, mandando esperar:
A decisão é tua (bis). São muitos os convidados (bis).
Quase ninguém tem tempo. Quase ninguém tem tempo...
2. Se ouvires a voz de Deus, chamando sem cessar.
Se ouvires a voz do mundo, querendo te enganar:
3. O trigo já se perdeu... Cresceu, ninguém colheu.
E o mundo passando fome, passando fome de Deus:

Aspirante: - O Deus que me criou, me quis e me envia a anunciar a boa Nova ao mundo, a ser sinal do seu grande amor a todos, onde quer que eu esteja.

Todos: - Ao longo do meu caminho, uma voz eu escutei... Oh! Não me deixes sozinho, a ceifar o que plantei. Vem, vê, me ajudar, com muito amor tudo se faz.

Aspirante: - Tive medo, Senhor... Muito medo! Deixar minha família, meus amigos, meu trabalho, tantas facilidades, tantas boas ofertas que o mundo oferece... tantas, tantas coisas... Não, não Senhor, tenho medo!

Todos: - Canto: Teimosia - Pe. Irala

Aspirante: - Muitos já me disseram: por trás desse mar não há vida nenhuma, nem terra habitada; não suba esse morro, não vá nesse vale, não vá nessa estrada....Mas, eu vou... eu vou!

Todos: - Ao longo do meu caminho uma voz eu escutei: Oh! Não me deixes sozinho a ceifar o que plantei. Vem, vem me ajudar, com muito amor tudo se faz!

Aspirante: - Muitos já me disseram: que a vida que eu levo não vale a saudade, nem vale a esperança; que nada compensa ouvir o chamado do Deus da Aliança! Mas, eu vou... eu vou!

Dirigente: - Mas, o Senhor... insiste!

Todos: - Ao longo do meu caminho, uma voz eu escutei: Oh! Não me deixes sozinho, a ceifar o que plantei. Vem, vem me ajudar, com muito amor tudo se faz!

1 - Nada temas, pois eu te conheço... e tu tens um preço, eu te amo, és minha. Quando avançam teus inimigos eu estou contigo: Sou o Emanuel...

Aspirante: - Mas, eu vou... eu vou!

1. - “Não temas, pois estou contigo... Só te resta viver a esperança e ter confiança: minha filha, és minha.

Todos: - Oh! Não me deixes sozinho a ceifar o que plantei. Vem, vem me ajudar, com muito amor tudo se faz.

Leitor: - Mc 10, 17 – 22.
(Momentos de interiorização).

Todos: - Canto: Tu me cativaste, meu Deus e Senhor.
Tu me cativaste meu Deus e Senhor,Eu já não consigo esquecer teu amor( bis)
1.Estreito é o caminho é preciso saber. Andar entre espinhos e rosas colher.
Deixar redes, barcos, a vida perder. Deixar o dinheiro riquezas não ter.
2.O Reino é semente de trigo no chão. Que morre gerando a ressurreição.
É luta constante em favor do irmão. É luz, é fermento, é água, é pão...
3.A vida é tão breve um sonho fugaz. Daqui só se leva o bem que se faz Senhor Jesus Cristo. Meu Deus e Senhor. Ensina de novo o caminho do amor.

Dirigente: - Partilha em forma de preces ...

2. O que tu deixas, já bem conheces... mas, o teu Deus o que te dá? “Um grande povo, a terra, a promessa... O cêntuplo a mais e a eternidade”.

Dirigente: - Portanto, querida ... Sai... deixa... parte... vai com muita fé no teu Senhor, o que tu levas é muito mais...: “Anunciar a Boa Nova do Evangelho aos povos”.

( Para a benção, a aspirante se coloca de joelhos e toda a assembléia estende as mãos sobre ela, rezando:)

Bênção de Envio

Assim como o Pai me amou e me enviou.
Eu também te amo e te envio...
Isto é uma ordem:
Sê forte e corajoso/a, não te acovardes, não tenhas medo,
porque Eu, o Senhor, teu Deus, estarei contigo
onde quer que fores ( Josué 1, 9).
Vou adiante de ti, para mostrar-te, o caminho.
Atrás de ti para te proteger.
Ao lado de ti, para te amparar.
Abaixo de ti, para te sustentar.
E acima de ti para te abençoar!
Vai em paz... em nome da Trindade Santa: Do Pai que te criou,
do filho que te resgatou e do Espírito Santo que te santificou.
Abençoada, podes partir,
sendo uma bênção para todos! Amém!


Canto: - Eis-me aqui, Senhor!

Elaborada por: Ir. Teresa Cristina Potrick, ISJ

(Inspirada nos cantos: Teimosia – Pe. Irala ;
Ao longo do meu caminho – José Raimundo Galvão).

sábado, 7 de agosto de 2010

O Toque do Mestre


Prepare o seu coração para o encontro com a Trindade... Procure um lugar tranqüilo. Aquiete seu coração... sua mente... sua vontade... Respire lenta e profundamente algumas vezes... Invoque o Espírito Santo para que ele ilumine e conduza este momento de oração.

Pedir a graça: Pedir é dispor-se a receber a Palavra, o Espírito, a Luz do Senhor; pedir a graça de uma maior consciência da grandeza da escolha e do chamado a seguir o Mestre.

A vocação é uma relação de amor para com Deus e a humanidade. Vocação não é como um objeto que eu possuo, alguma coisa que coloco no bolso da calça e acabo perdendo porque o bolso está furado. Não é como um chapéu que o vento carrega logo na primeira tempestade, ou como a roupa que guardo no armário e visto quando estou a fim.

Texto que pode iluminar a oração: Lc 5, 1 - 11
Ler o texto com atenção, bem devagar, como que saboreando cada palavra ou versículo que mais lhe tocou o coração. Permanecer aí até que a esta palavra desça ao profundo, que ressoe, que seja realmente recebida e compreendida.

Cada vocação é tema de íntimo diálogo trinitário, do Pai, do Filho e de uma missão especial do Espírito Santo. Vocação é uma relação viva e dinâmica de amor para com Deus e os outros. Como qualquer relação, trata-se de uma história feita de conquistas e frustrações, entusiasmos e decepções, traições e provas de fidelidade.

É um caminho difícil, cheio de dificuldades. Dificuldades essas que podem purificar o relacionamento, tornando-o mais autêntico e profundo, como podem também comprometê-lo definitivamente.

Não existe uma verdadeira relação de amor sem comunicação. Por isso, vocação é antes de tudo diálogo. Deus fala e eu respondo. Deus interpela e eu me comprometo. Deus me indica o caminho e eu percorro. Deus me mostra o projeto e eu me deixo modelar aos poucos, até me transformar na obra de arte que Ele imaginou desde sempre.

Fruto do amor, o diálogo é sempre novo, cheio de surpresas. Nunca tem fim, porque o amor não se esgota. No diálogo, as palavras deixam lugar para os gestos pelos quais o Pai revela o seu Projeto de amor, que pensou para cada um/a de nós.

A vocação é também uma relação de amor para com os outros, as pessoas com quem eu convivo, a humanidade inteira. A relação com Deus Pai me abre ao conhecimento do outro como irmão. A contemplação do Deus-feito-homem me leva a sair de mim mesmo e a me fazer “ dom” para a comunidade. A obediência ao Espírito Santo me contagia com um amor que desconhece fronteiras.

Os discípulos já confiavam bastante em Jesus – “Deixem tudo ... Eu os farei pescadores de homens”... Essas palavras podiam ser para os discípulos, um tanto estranhas. O chamado feito, não é para algo concreto, mas simplesmente para segui-lo. Jesus é o ponto de convergência das multidões.

Partilhe como Senhor um pouco do que você carrega no seu interior. Recorde algum momento difícil de sua vida no qual você sentiu a presença de Deus que alivia e cura. Agradeça por essa experiência.

O Criador conta com você para continuar a recriar, a construir e a fazer a vida germinar e produzir frutos.

Termine sua oração dando graças a Deus por tudo aquilo que foi vida, iluminação, toque, questionamento. Converse com Deus como um amigo fala ao amigo. Reze um Pai-Nosso ou outra oração de sua inspiração ou com o canto: Chamaste- me para caminhar na vida contigo. Registre no seu caderno vida, tudo o que foi marcante em sua oração. Fique em paz na presença do Senhor!

Ir. Teresa Cristina Potrick, ISJ

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A Criação e o discernimento


O discernimento está na origem do homem, do ser humano. Deus querendo parceiros de amor e não marionetes ou robôs manipuláveis devia dotar o homem de liberdade. “Deus quer deixar ao homem o poder de discernir” (Eclo 15, 14), para que assim procure espontaneamente o seu Criador, a ele adira livremente e chegue à perfeição plena e feliz.
“Desde o princípio, Deus criou o homem e o entregou ao poder de suas próprias decisões”
(Eclo 15, 14).
O “livre-arbítrio” não é tanto o poder de escolher entre um vestido e outro, entre uma atividade e outra. Tudo isto é superficial; na sua radicalidade o livre-arbítrio é o poder de escolher entre amar ou não amar; entre a vida ou morte; entre a bênção ou a maldição.
Deus quer a nossa felicidade e sabe que só a encontramos no caminho do amor. Indica-nos o caminho, mas nos deixa livres de trilhá-lo. Ele nos criou por amor e para o amor. Se livremente respondermos ao seu amor, seremos plenamente realizados/as e felizes.
Santo Inácio foi uma pessoa de grandes desejos. Quando jovem, desejava fama, sucesso e até mesmo o amor de uma mulher nobre. Depois da conversão, seu grande desejo era estar com Cristo e fazer tudo para a Maior Glória de Deus.
Santo Inácio matriculou-se na escola de Deus, deixou-se conduzir por ele e tornou-se o “grande mestre do discernimento”. O Deus de Jesus Cristo é o único que nos dá horizontes para classificar nossas “moções”.
O discernimento é o núcleo central da espiritualidade inaciana. Para sermos fiéis à vontade de Deus é necessário uma constante atitude de discernimento... O que é discernimento?
“Discernimento é a ousadia de deixar-se conduzir pelo Espírito. É perceber, distinguir a voz de Deus no meio de um coro de vozes”. É estar muito atento/a às vozes interiores e exteriores que nos cercam e sobretudo às vozes que gritam no nosso interior. Dentro de nós estão presentes duas forças que se digladiam, duas correntes contrárias.
O discernimento desvela para mim o papel do Bom Espírito (BE), o comportamento do Mau Espírito (ME) e a minha própria liberdade. Os espíritos (BE e ME), contudo, se manifestam em forças ou impulsos - de um lado e em expressões ou veículos – de outro. Denominamos esses impulsos, iluminações, cliques, “moções” quando nos vêm do BE e “artifícios “ ou “tretas” quando nos vêm do ME. A palavra ”moção” vem do latim ”movere” que significa mover. As moções que vêm do BE me levam para Deus e ao seu Reino. As moções do BE me levam a fazer o bem, vêm da ação da graça. Contrariamente, tudo o que me afasta de Deus e do seu Reino vêm do ME, mau espírito, é denominado “artifício” ou “treta”; são armadilhas, tentações, que me levam a fazer o mal, portanto me afastam de Deus.
As “moções espirituais” vêm ao meu coração, à minha mente, independente do meu querer, vêm de fora.
Os impulsos se exprimem em dois estados básicos: a consolação e a desolação. Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio nos ensinam que discernir supõe, num primeiro momento, prestar atenção e saber “dizer” qual é o meu estado espiritual. O que estou sentindo? ( Não o que estou pensando...) consolação ou desolação...
Consolação : - Há consolação quando se experimentam os movimentos interiores por meio dos quais nos sentimos plenos de amor pelo Senhor, quando temos desejos fortes e lágrimas pelas coisas de Deus ou dirigidas para a construção do Reino. Todo o aumento de fé, de esperança e de amor é consolação, o mesmo ocorrendo com toda a alegria interior.
Desolação – Há desolação quando ocorre o contrário: obscuridade, perturbação, inclinação para as coisas do espírito deste mundo... Inquietação... Movimentos de desconfiança e de perda de esperança; sensação de fraqueza e de tristeza; sentimentos de separação de Deus.
Duas perguntas podem ajudar no discernimento:
- O que experimento ( o que estou sentindo?) A chave de leitura não é o pensamento e sim o sentimento.
- Aonde isto me leva?
Me leva para Deus ou me afasta?
O discernimento torna a pessoa livre interiormente... não se aprisiona à sua realização pessoal.
• Qual é o referencial de minha vida?
• Gosto ou não gosto? Isto não me realiza...
É importante o conhecer-se interiormente... Quais são as minhas feridas, o
“ meu sentir ferido”... O processo de “libertação interior” é muito lento... Os condicionamentos estão ligados às moções, desolações e apegos... Fácil é perceber as moções; o difícil é perceber os artifícios, os impulsos do mau espírito ( ME).
A realização pessoal no discernimento é conseqüência... Muitas vezes apela-se tanto para a realização pessoal e isto faz com que se passe à margem do Plano de Deus. Não sei se o chamado de Deus leva à realização pessoal? Leva sim, mas em outro nível. Na vida espiritual é muito importante saber distinguir claramente o que é um
”estado espiritual” em contraste com um estado fisiológico ( a dor, por exemplo) ou psíquico( depressão, ansiedade, etc. ).

Ir. Teresa Cristina Potrick, ISJ

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Um encontro com o Coração de Jesus



O mês de junho nos convida a um olhar especial ao coração de Jesus. Depois de mais de dois mil anos, Jesus continua com sua embaraçosa pergunta: “Quem dizeis que eu sou?”

É difícil responder, pois não deixou nenhuma foto, filme ou vídeo cassete, no entanto, é possível reconstituir seu rosto, nitidamente expresso na única autêntica tela: os Evangelhos.
Voltemos nosso olhar à sensibilidade do seu ouvido e de seu coração.
Ele escutava o Pai; escutava o lamento dos povos; os pedidos silenciosos dos doentes; do paralítico; do Zaqueu; da hemorroíssa que discretamente puxara a orla do seu manto; os pedidos ingênuos e por vezes, importunos, dos discípulos,; o desabafo amargo dos dois de Emaús.

Jesus é Deus sim, mas também em tudo como nós, porque não só o nosso aspecto físico exterior, como também, igualmente os nossos sentimentos; nossa sensibilidade e as nossas paixões. Como nós experimentou ansiedades, medos, tristezas, angústias, e sentiu “terror e pavor” diante da morte (Mc 14, 34). Gozou os carinhos do afeto e sofreu as desilusões do abandono e da traição. Tudo como nós, exceto o pecado (Hb 4, 15).

Jesus não fica indiferente à situação social e econômica que obriga tantas pessoas do seu povo a viver em condições subumanas. Intervém... Seu coração escuta... sente... estende a mão, toca, cura as pessoas.

Jesus é o Filho de Deus vivo, nascido da Virgem Maria e que veio ao mundo para nos salvar; verdadeiro Deus, segunda pessoa da Santíssima Trindade.

Diante de tanta sensibilidade e compaixão de Jesus, sou convidado/a a ver a minha história pessoal e familiar, a história da humanidade em suas diferentes etapas; a história do nosso continente, marcado pelo sofrimento e pela opressão; nosso país, com sua pobreza e riqueza; a nossa comunidade, formada de pessoas com suas contradições e belezas; o lugar de nosso trabalho, com seus desafios, são um permanente convite a prestar atenção aos sinais e apelos do Mestre Jesus.

O mundo está repleto dos sinais da presença amorosa de Deus. Ele tem um jeito especial de tocar nosso coração, a nossa vida.

Tome um tempo para louvar o Senhor pelas expressões de fidelidade que você viveu e vive. Agradeça a Deus os sinais de sua bondade em você e nas outras pessoas.

Coração de Cristo ouve o nosso grito: Um coração novo para um mundo novo vimos te pedir, todos precisamos... Haja paz na terra, reine a justiça, nós te suplicamos.

Repita no silêncio do seu coração ou mesmo cantando: “Quero cantar ao Senhor, sempre enquanto eu viver. Hei de provar seu amor, seu valor e seu poder”.
Ir. Teresa Cristina Potrick, ISJ

terça-feira, 1 de junho de 2010

As asas do Espírito Santo


As asas do Espírito Santo

É bom lembrar que o Espírito Santo não é pomba e nem tem asas; é Espírito, portanto, não tem forma e nem corpo.
O Deus em quem acreditamos é um Deus em três pessoas distintas e divinas: Pai, filho e Espírito Santo, a Santíssima Trindade, porém um só Deus.
Não podemos reduzir o Espírito Santo à figura de uma pomba branquinha e sossegada, como diz, Dom Pedro Casaldáliga. É importante lembrar que ele tem duas asas. “De um lado, nos leva à oração, à interiorização, à paz. De outro, leva-nos à ação, ao compromisso, à luta”.
O mesmo Espírito Santo nunca nos leva às nuvens, à indiferença, à omissão. Ele é o Espírito da Verdade que nos ensinará tudo. “ quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade” ( Jo 16, 13 ).
O Espírito é luz, é vida é força. O “trabalho” do Espírito consiste em nos mover, conduzir, levar-nos aos tempos e lugares onde a presença é necessária para construir o Reino de Deus.
É obra do Espírito Santo mover-nos internamente, desinstalar-nos, converter-nos transformar nossos corações e pedra em coração de carne , (Ez 11, 19).
O texto de Lc 4, 14 – 19, marca o início da vida Pública de Jesus; aí podemos entender como o Espírito Santo é “agitador” e “subversivo”, debelador da injustiça e opressão, o “ revolucionador do mundo”.
“Jesus voltou para a Galilé4ia, com a força do Espírito Santo aí Jesus torna público o seu Projeto de vida, que é o Projeto do Pai. Jesus se apropria das palavras de Is 61, 1- 2; “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres, curar os corações doloridos, etc.
Com a força do Espírito Santo, Jesus parte para sua missão de evangelizador dos pobres e libertador do mundo.
No seu Magnificat, Maria plena do Espírito Santo, canta a queda dos poderosos... e a exaltação dos humildes.
No dia de Pentecostes os primeiros discípulos, sacudidos e impulsionados pela força do Espírito Santo, vencem o medo e enfrentam os grandes e poderosos, testemunham corajosamente o Cristo Ressuscitado.
O Espírito santo não se reduz a uma pomba branquinha e sossegada, tranqüila, acomodada... isto seria cortar a asa esquerda do compromisso e da ação, da libertação e da luta. Não vamos cortar a outra asa: aquela da oração, do silêncio, da paz.
Sem dúvida, nós queremos o Espírito santo atuando em nós com as duas asas. Caso contrário não é mais o Espírito de Jesus.
Nós também fomos ungidos, consagrados e enviados em missão. Somos enviados a construir um mundo novo, novas relações, novo modo de perceber: olhar o mundo com olhos diferentes, com os olhos de Deus, pois “o Espírito Santo foi derramado em nossos corações...”
“Darei para vocês um coração novo e colocarei dentro de vocês o meu Espírito, para fazer com que vocês vivam conforme o meu sonho, o meu Projeto.
Para que isso aconteça, é necessário deixar que o Espírito Santo atue em nós com as duas asas, conforme foi dito acima. Deixemo-nos conduzir pelo impulso das duas asas, abraçando a terra e o céu, o Pai e os irmãos...

Fonte: As duas asas do Espírito Santo: ( D. Pedro Casaldáliga)
Revista: Sem fronteiras – Agosto/89.