quarta-feira, 30 de julho de 2014


A Criação e o discernimento


O discernimento está na origem do homem, do ser humano. Deus querendo parceiros de amor e não marionetes ou robôs manipuláveis devia dotar o homem de liberdade. “Deus quer deixar ao homem o poder de discernir” (Eclo 15, 14), para que assim procure espontaneamente o seu Criador, a ele adira livremente e chegue à perfeição plena e feliz.
“Desde o princípio, Deus criou o homem e o entregou ao poder de suas próprias decisões”
(Eclo 15, 14).
O “livre-arbítrio” não é tanto o poder de escolher entre um vestido e outro, entre uma atividade e outra. Tudo isto  é superficial; na sua radicalidade o livre-arbítrio é o poder de escolher entre amar ou não amar; entre a vida ou morte; entre a bênção ou a maldição.
Deus quer a nossa felicidade e sabe que só a encontramos no caminho do amor. Indica-nos o caminho, mas nos deixa livres de trilhá-lo. Ele  nos criou por amor e para o amor. Se livremente respondermos ao seu amor, seremos plenamente realizados/as e felizes.
Santo Inácio foi uma pessoa de grandes desejos. Quando jovem, desejava fama, sucesso e até mesmo o amor de uma mulher nobre. Depois da conversão, seu grande desejo era estar com Cristo e fazer tudo para a Maior Glória de Deus.
Santo Inácio matriculou-se na escola de Deus, deixou-se conduzir por ele e tornou-se o “grande mestre do discernimento”. O Deus de Jesus Cristo é o único que nos dá horizontes para classificar nossas “moções”.
O discernimento é o núcleo central da espiritualidade inaciana. Para sermos fiéis à vontade de Deus é necessário uma constante atitude de discernimento... O que é discernimento?
“Discernimento é a ousadia de deixar-se conduzir pelo Espírito. É perceber, distinguir a voz de Deus no meio de um coro de vozes”. É estar muito atento/a às vozes interiores e exteriores que nos cercam e sobretudo às vozes que gritam no nosso interior. Dentro de nós estão presentes duas forças que se digladiam, duas correntes contrárias.
O discernimento desvela para mim o papel do Bom Espírito (BE), o comportamento do Mau Espírito (ME) e a  minha própria liberdade. Os espíritos (BE e ME), contudo, se manifestam  em forças ou impulsos -  de um lado e em expressões ou veículos – de outro. Denominamos esses impulsos, iluminações, cliques, “moções” quando nos vêm do BE  e “artifícios “ ou “tretas”  quando nos vêm do ME. A palavra ”moção” vem do latim ”movere” que significa mover. As moções que vêm do BE me levam para Deus e ao  seu Reino. As moções do BE me levam a fazer o bem, vêm da ação da graça. Contrariamente, tudo o que me afasta de Deus e do seu Reino vêm do ME, mau espírito, é denominado “artifício” ou “treta”; são armadilhas, tentações, que me levam a fazer o mal, portanto me afastam de Deus.
As “moções espirituais” vêm ao meu coração, à minha mente, independente do meu querer, vêm de fora.
Os impulsos se exprimem em dois estados básicos: a consolação e a desolação. Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio nos ensinam que discernir supõe, num primeiro momento, prestar atenção e saber “dizer” qual é o meu estado espiritual. O que estou sentindo? ( Não o que estou pensando...) consolação ou desolação...
Consolação : - Há consolação quando se experimentam os movimentos interiores por meio dos quais nos sentimos plenos de amor pelo Senhor, quando temos desejos fortes e lágrimas pelas coisas de Deus ou dirigidas para a construção do Reino. Todo o aumento de fé, de esperança e de amor é consolação, o mesmo ocorrendo com toda a alegria interior.
Desolação – Há desolação quando ocorre o contrário: obscuridade, perturbação, inclinação para as coisas do espírito deste mundo... Inquietação... Movimentos de desconfiança e de perda de esperança; sensação de fraqueza e de tristeza; sentimentos de separação de Deus.
Duas perguntas podem ajudar no discernimento:
- O que experimento ( o que estou sentindo?)  A chave de leitura não é o pensamento e sim o sentimento.
-  Aonde isto me leva?
   Me leva para Deus ou me afasta?
O discernimento torna a pessoa livre interiormente... não se aprisiona à sua realização pessoal.
·         Qual é o referencial de minha vida?
·         Gosto ou não gosto? Isto não me realiza...
É importante o conhecer-se interiormente... Quais são as minhas feridas, o
 “ meu sentir ferido”... O processo de “libertação interior” é muito lento... Os condicionamentos estão ligados às moções, desolações e apegos... Fácil é perceber as moções; o difícil é perceber os artifícios, os impulsos do mau espírito ( ME).
         A realização pessoal no discernimento é conseqüência... Muitas vezes apela-se tanto para a realização pessoal e isto faz com que se passe à margem do Plano de Deus. Não sei se o chamado de Deus leva à realização pessoal? Leva sim, mas em outro nível. Na vida espiritual é muito importante  saber distinguir claramente o que é um
”estado espiritual” em contraste com um estado fisiológico ( a dor, por exemplo) ou  psíquico( depressão, ansiedade, etc).
 
 Ir. Teresa Cristina Potrick, ISJ

Orvalho da alegria



                
Orvalho da alegria
Quando você estiver triste e nada mais restar em seu coração
Me dê a mão e vamos caminhar.
Um jardim especial eu vou lhe mostrar,
Caminhe comigo, erga a fronte,
Levante a cabeça,
Verá o horizonte,
A vida é bela,
Não se esqueça!
Se os pés doem, as pedras machucam,
Troque os sapatos,
Os fortes não desistem,
Buscam alternativas,
Sempre lutam!
Caminhe comigo, respire fundo,
Sinta o cheirinho bom do mato,
Confie no mundo!
Venha, você é meu amigo!
A amizade encoraja!
Amigo querido!
A caminhada é longa,
Mas você não está sozinho,
O jardim será seu refúgio,
Seu abrigo...
Venha comigo!

Autor desconhecido

segunda-feira, 30 de junho de 2014


Essencial


" Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. 
Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ele chupou displicente, 
mas percebendo que faltavam poucas, rói o caroço. 
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. 
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. 
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte. 
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. 
Já não tenho tempo para conversas intermináveis
para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias
que nem fazem parte da minha. 
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas que,
apesar da idade cronológica, são imaturas. 
Detesto fazer acareação de desafetos
que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral
do coral ou semelhante bobagem, seja ela qual for. 
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, 
quero a essência, minha alma tem pressa... 
Sem muitas jabuticabas na bacia,
quero viver ao lado de gente humana, muito humana;
que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, 
não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, 
defende a dignidade dos marginalizados, e
deseja tão somente andar ao lado de Deus. 
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes,
nunca será perda de tempo.
O essencial faz a vida valer a pena.
Basta o essencial!" 

Rubens Alves



quinta-feira, 26 de junho de 2014

Oração do século XXI



Oração do século XXI



Senhor, faz de mim um meio da tua comunicação,
- Onde tantos lançam bombas de destruição,
que eu leve a palavra de união.
- Onde tantos procuram ser servidos,
que eu leve a alegria de servir.
- Onde tantos fecham a mão para atacar,
que eu abra o coração para acolher.
- Onde tantos adoram a máquina,
que eu saiba humanizar a pessoa.
- Onde tantos endeusam a técnica,
que eu leve o sentido de viver.
- Onde tantos me pedem um peixe,
que eu saiba ensinar a pescar.
- Onde tantos me pedem pão,
que eu saiba ensinar a plantar.
- Onde tantos estão sempre distantes,
que eu seja alguém sempre presente.
- Onde tantos só vivem a matéria que passa,
que eu viva o espírito que fica.
- Onde tantos sofrem a solidão na multidão,
que eu leve o encontro com alguém.
- Onde tantos olham só para a terra,
que eu saiba olhar para o céu.
- Onde tantos se prendem a pequenas coisas,
que eu saiba apontar coisas maiores. 
Autor desconhecido

domingo, 11 de maio de 2014

O Senhor é meu Pastor


O Senhor é meu Pastor

O Senhor é meu pastor;
em cada momento nada me fala.

Em verdíssimas pastagens me convida a repousar
em plácidas nascentes sacia a minha sede.

Ele é força para a minha alma;
em caminhos planos e retos me conduz
porque ele é fiel ao seu santo nome.

Seguindo os seus passos
sinto-me seguro.

Embora eu caminhe em vale tenebroso,
de nada terei medo,
porque junto a mim tu estás!

Teu bastão e teu cajado me deixam bem tranqüilo.

Uma mesa bem farta para mim tu preparas,
bem debaixo dos olhos dos teus inimigos.

Com o teu óleo perfumas a minha cabeça
e meu corpo transborda de alegria e me embriaga.
Felicidade e amor são meus companheiros;
até que não termine a minha vida
eu permanecerei na casa do meu Deus,
todos os dias que ele me concede.

Ninguém pode atravessar sozinho o deserto da vida. Muitos vales tenebrosos e inimigos esperam nas encruzilhadas para nos derrotar. Caminhemos com passo certo, sempre rumo ao encontro do Senhor, que sempre caminha na nossa frente!...


(Do livro: “Eu te amo: Não tenhas medo” – Frei Patrício Sciadini, O.C.D.


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Fica comigo



Fica comigo, ó Virgem Maria

Fica comigo, ó Virgem Maria,
quando o medo visita a minha casa,
quando o cansaço paira sobre o meu débil corpo,
quando o coração não sabe pronunciar
uma palavra de amor
e parece fonte seca
e terra árida donde
não brota sinal de vida;
quando a inteligência se revolta diante do mistério,
 não querendo aceitar
o que não compreende;
quando falar de Deus, rezar, amar,
perdoar, ser disponível
são verbos que repugnam
a minha sensibilidade
agitada pelo mal;
quando a tempestade da indecisão
tomar conta de mim;
quando... quando... quando...
quando quero deixar o lugar
que Deus me confiou
para ficar no lugar revestido do meu “eu”
e despido do nosso Deus.
Fica comigo, ó Virgem do Amor!

Do Livro: ( Eu te amo: Não tenhas medo
-  Frei Patrício Sciadini, O.C.D. )





quarta-feira, 9 de abril de 2014

São José, pai de família


São José, pai de família

           
       São José é muitas vezes representando como um homem idoso; isto, certamente porque se desejasse que fosse um ancião cheio de bondade e de santidade, um ancião
que inspirasse muita simpatia.
Outros imaginam que José seria mais guardião e protetor de Maria do que esposo; um patriarca velho e com cãs e barbas brancas, segurando o menino Jesus num braço e o ramo de lírio no outro, para simbolizar sua castidade.
         Podemos também recusar a  idéia de dar um verdadeiro pai a Jesus , como se a criança não pudesse crescer e se desenvolver senão ao contato com a sabedoria de ancião...
         Os evangelhos nada falam a respeito de idade, podemos admitir que José  ao unir sua vida à Maria, tinha a idade de outros jovens que se comprometiam com o noivado.
         José possuía sobretudo a juventude da alma; possuía uma personalidade jovem. Foi um homem de firmes resoluções e valentes determinações. Representava para Maria todo o apoio e segurança que uma mulher pede e necessita de seu esposo.
         Foi um homem de caráter que, quando sua família corria perigo, não titubeou um momento de despertá-la à meia noite para levá-la a um pais desconhecido, de idioma e cultura diferentes. Nada o detinha quando descobria o plano de Deus
         José corre o risco da maledicência ao assumir Maria, sua noiva, já grávida pelo Espírito Santo. Tem a coragem de ser alternativo e leva-a para sua casa (cf Mt 1, 24).
Assume as funções próprias de pai que presta assistência no nascimento, que toma a iniciativa de fugir para o Egito e escolhe o momento de voltar; que junto com a esposa faz o que todo o pai-educador fazia  com referência aos deveres religiosos; que se preocupa com a perda do filho. Todas essas coisas têm a ver com um pai, engajado seriamente em sua missão familiar do que com um simples protetor e um zeloso provedor.
Com referência às barbas e cãs brancas e à sua idade: os evangelhos, não dão nenhuma pista que possa sugerir a idade de José.
Os evangelhos não relutam em chamar José esposo de Maria e Maria esposa de José. O filho de Maria torna-se também filho de José. Por isso, os evangelhos o reconhecem como o filho de José, o carpinteiro de quem aprendeu a profissão, pois o chamavam também de carpinteiro.
Eles formavam uma família constituída que está toda presente e unida por ocasião do nascimento de Jesus; que conheceu os medos de uma perseguição mortal por parte de Herodes, que queria sacrificar os meninos da região de Belém, onde nasceu Jesus; que passaram juntos pelas agruras de uma fuga apressada para o Egito; que depois voltaram de lá e foram se esconder em Nazaré, porque Arquelau, filho de Herodes, que reinava na Judéia e era tão sanguinário como o pai e poderia querer ainda matar o menino Jesus.
Nesta pequena vila, como todos os pais piedosos, fazem, também eles  os ritos da purificação, da circuncisão e da apresentação no Templo, iniciam o filho nas festas sagradas e, juntos, se afligem quando o Menino de 12 anos em lugar de voltar a Nazaré se detém no Templo entre os doutores.
Pensando nos elementos todos que perfazem uma vida a dois, especialmente o mútuo compromisso e a responsabilidade compartilhada, Maria e José formam uma autêntica família.
Nas famílias judaicas, a autoridade do pai era marcante. O próprio Deus atribuiu a José a autoridade no seu lar.
A humildade de José o levava a exercer a autoridade com grande delicadeza e bondade. José tinha profundo respeito à sua esposa e ao mesmo tempo pela personalidade em formação de Jesus. Nas decisões a serem tomadas, sua primeira preocupação era: levar em conta sua maneira ver.
José exercia sua autoridade como expressão de amor que unia sua pequena comunidade. Longe de exercer o poder da autoridade de maneira além dos limites, de modo imperativo, tirânico... o que é um perigo  deixar-se levar pelo amor-próprio, que deseja submeter os outros; a sede de dominação é um instinto que trabalha vivamente no ser humano.
Por esta razão todo o chefe precisa estar atento, vigilante, e não querer agir  a não ser por amor, a atitude de representante de Deus. Assim que José agia. Tinha consciência de sua missão como representante do Pai Celeste, e nada mais que isto.
José por seu grande amor é modelo dos pais de família. Que ele faça também compreender a todos aqueles que receberam de Deus  a missão de exercer a autoridade, que o façam no sentido verdadeiro deste dom,  exercendo com responsabilidade firme, mas plena de bondade e grande humildade.
          Ir. Teresa Cristina Potrick, ISJ