terça-feira, 30 de setembro de 2014

Cantar o louvor pela misericórdia



Cantar o louvor pela Misericórdia

1. Prepare o seu coração para o encontro com a Trindade... Procure um lugar tranqüilo. Aquiete... Sua mente... Sua vontade... Seu coração... Respire lenta e profundamente algumas vezes. Invoque o Espírito Santo para que ele ilumine e conduza este momento de oração.
2. Pedido da graça: - Luz para reconhecer as marcas da ternura e amor de Deus ao longo da minha história, mesmo
Quando não fui fiel à sua aliança comigo.
3. Textos iluminativos:
·        Mc 10, 45-52 – Que queres que te faça?
·        Salmo 102 (103 - “ ... não esqueças nenhum de seus favores”.
O caminho é longo, fatigante. É próprio do caminheiro cair, ferir-se. O que importa é não permanecer sob o peso de nossos pecados... é preciso levantar-se e continuar o caminho até chegar à meta.
O ser humano está sujeito a quedas, a rupturas, a quebras, a buscas  em  outras  fontes  que  não  vivificam  a  Aliança, mas, pelo contrário, afastam–no  dela.
O Deus que se nos revela é a misericórdia que assume a nossa miséria. Alguém que é capaz de entrar no coração de uma pessoa que precisa de cura, que está em situação difícil e precisa de ajuda. 
O próprio Deus se comove com a miséria humana e vem ao encontro de pessoa, quando esta rompe a Aliança com Ele, para resgatar, dentro de seu coração, o selo do amor rasurado, borrado, sujo ou rasgado. Ele abre seus braços e espera a pessoa, para acolhê-la e banhá-la no manancial do seu amor: “Derramarei sobre vocês uma água pura, e vocês ficarão purificados  ( Ez 36, 25 – 27 ).
         O nosso coração necessita dialogar com Deus, superar o materialismo que nos escraviza e revestir-nos do amor que não tem fim.
O cego Bartimeu não ia nem para frente e nem para trás. Estava à margem. A passagem de Jesus foi alguma coisa na vida do cego. O encontro foi libertador. Ele lança fora a capa, levantando-se de um salto, vai para o Cristo.
 – Que queres que eu te faça ? – Senhor, que eu veja ! Eu quero o teu espírito. A presença de Jesus se tornava uma exigência de libertação para o cego. Por isso, nada mais o conteve: “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!”
         Deus não me ama porque  sou “cheio/a de graça”, mas me ama para que eu o seja. Posso mudar. Ficar mudada/o porquê Deus me encontrou, me interpelou, porque o seu grande AMOR me modificou.
Com um coração agradecido, trace a linha histórica de sua vida. Procure identificar e contemplar o toque do AMOR DE DEUS.  Reconhecer nos anos de vida já passados, as marcas do AMOR de DEUS deixadas como rastros na areia de sua história.

Que o Senhor, ilumine nosso coração e mente e nos dê coragem de dar um mergulho de qualidade em nosso interior. .Ao ouvir a voz de Jesus: “Venha”!  Aproxime-se e deixe-se curar por Ele. Deixe-se tocar por Ele, por seu olhar, para poder ouvir a voz de Jesus que lhe diz: - Que queres que eu te faça ?

         E, ... o cego foi seguindo Jesus pelo caminho. Entrou agora em uma nova dimensão do Cristo: - Jesus, o Bom Pastor.

Fazer memória da oração:
· O que mais me tocou nesta oração?
· Que sentimento predominou em mim?
· Senti algum apelo, desejo, inspiração?
· Tive alguma dificuldade ou resistência?

      . Agradeça as marcas que o Senhor foi deixando em seu coração, louve, suplique, fale de sua vida... Reze um Pai-Nosso, Ave-Maria. Glória ao Pai ou Alma de Cristo. Renove sua fidelidade ao Senhor. Anote, brevemente, no seu caderno-Vida o que foi mais importante na sua oração.

        Teresa Cristina Potrick

domingo, 31 de agosto de 2014



É preciso amar e perdoar em plenitude!

Perdoar a quem te feriu é um escândalo ou motivo de chacota para muita gente, pois, aos olhos humanos, parece injustiça e fraqueza. Muito se fala em perdão, mas pouco se vive o perdão.
O perdão é sempre louvável quando acontece com os outros: o Papa João Paulo II perdoou o atirador, que lindo! O pai perdoou o assassino da filha, que lindo! Mas quando é com você a coisa é diferente:
Ah comigo não tem perdão; nunca mais quero ver aquele que me magoou; nunca mais chegará perto da minha casa ou da minha família; comigo é assim: se me trata bem eu trato bem, mas se me trata mal eu odeio.
E assim a pessoa torna-se cada vez mais escrava de suas próprias promessas, afinal como alguém que jurou publicamente que jamais perdoaria irá se “rebaixar”?
Contudo, passa cada vez mais a querer justificar a sua atitude de não perdoar: fui muito ofendida(o) e magoada(o). Supervaloriza a situação ao máximo: aumenta, distorce e mente, sempre com o intuito de conseguir a aprovação dos outros para aquela atitude errada. O pior é que essas pessoas sempre vão ao encontro de pessoas, que assim como elas, cultivam a falta de perdão e o rancor, pois na verdade elas não querem uma opinião verdadeira que as façam refletir, elas precisam ser aceitas, precisam da auto-afirmação de que estão certas, mesmo que isso seja mentira.
Se alguém diz algo contrário, elas simplesmente criticam ou se afastam da pessoa, porque não querem ouvir a verdade, preferem o que é mais agradável e sempre é mais agradável, humanamente falando, ouvir que estamos certos.
Essa é a primeira diferença de quem perdoa e de quem não perdoa. Quem perdoa está preocupado em agradar a Deus, quem não perdoa está preocupada em agradar a si mesmo e aos outros.
Outra diferença não é a situação vivida, nenhuma situação é igual a outra e nenhuma pessoa é igual a outra, a diferença fundamental é o amor! E ninguém é capaz de dar aquilo que não se tem. Só é capaz de amar quem está repleto de amor! Só é capaz de perdoar quem está repleto de perdão! Quem está repleto de amor, perdoa e quem está repleto de perdão, ama. Amor e Perdão andam juntos. Amor e Perdão não são como o óleo e o vinagre que não se misturam, o Amor e o Perdão se fundem. Quem acha que é capaz de amar sem perdoar ou de perdoar sem amar engana-se a si mesmo.
O Papa João Paulo II, o pai e tantos outros só foram capazes de perdoar porque estavam repletos de Deus e de amor, pois Deus é amor!(cf I Jo 4, 16) Perdoaram porque tinham o desejo sincero de seguir os passos de Cristo: 
“Este é o meu mandamento:
amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”. ( Jo 15, 12)
Só quem vive do amor de Deus fonte de perdão e paz é capaz de perceber que perdoar é escolher não pagar na mesma moeda; é desejar o bem; é orar àquele que te feriu. O próprio Jesus nos ensinou isso: “Ora, eu vos digo: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem”. (Mt 5,44)
Oração: 
Senhor, ensina-me a amar e perdoar;
Senhor, ensina-me a ser humilde;
Senhor, ensina-me a renunciar;
Senhor, ensina-me a seguir os teus passos com fidelidade.
Sim, Senhor, eu quero viver minha vida conforme a tua palavra;
Sim, Senhor, eu quero optar infinitamente pelo perdão e pelo amor;
Sim, Senhor, eu escolho a vida e não a morte.
Vem em meu auxílio, Senhor, pois sou fraco e pecador;
Tu és minha força, em ti desfaleço o meu viver;
Guia-me, Senhor, conforme a tua vontade. Amém!
Autor desconhecido



Deus é Pai

Quando o sol ainda não havia cessado seu brilho,
quando a tarde engolia aos poucos
as cores do dia e despejava sobre a terra
os primeiros retalhos de sombra
Eu vi que Deus veio assentar-se
perto do fogão de lenha da minha casa.

Chegou sem alarde, retirou o chapéu da cabeça
e buscou um copo de água no pote de barro
que ficava num lugar de sombra constante.

Ele tinha feições de homem feliz, realizado
parecia imerso na alegria que é própria
de quem cumpriu a sina do dia e que agora
recolhe a alegria cotidiana que lhe cabe.

Eu o olhava e pensava:
Como é bom ter Deus dentro de casa!
Como é bom viver essa hora da vida
em que tenho direito de  ter um Deus só pra mim.
Cair nos seus braços, bagunçar-lhe os cabelos,
puxar a caneta do seu bolso
e pedir que ele desenhasse um relógio
bem bonito no meu braço...

Mas aquele homem não era Deus,
aquele homem era meu pai.
E foi assim que eu descobri
que meu pai com o seu jeito finito de ser Deus
revela-me Deus
com seu
jeito infinito de ser homem.

Pe. Fábio de Melo


quarta-feira, 30 de julho de 2014


A Criação e o discernimento


O discernimento está na origem do homem, do ser humano. Deus querendo parceiros de amor e não marionetes ou robôs manipuláveis devia dotar o homem de liberdade. “Deus quer deixar ao homem o poder de discernir” (Eclo 15, 14), para que assim procure espontaneamente o seu Criador, a ele adira livremente e chegue à perfeição plena e feliz.
“Desde o princípio, Deus criou o homem e o entregou ao poder de suas próprias decisões”
(Eclo 15, 14).
O “livre-arbítrio” não é tanto o poder de escolher entre um vestido e outro, entre uma atividade e outra. Tudo isto  é superficial; na sua radicalidade o livre-arbítrio é o poder de escolher entre amar ou não amar; entre a vida ou morte; entre a bênção ou a maldição.
Deus quer a nossa felicidade e sabe que só a encontramos no caminho do amor. Indica-nos o caminho, mas nos deixa livres de trilhá-lo. Ele  nos criou por amor e para o amor. Se livremente respondermos ao seu amor, seremos plenamente realizados/as e felizes.
Santo Inácio foi uma pessoa de grandes desejos. Quando jovem, desejava fama, sucesso e até mesmo o amor de uma mulher nobre. Depois da conversão, seu grande desejo era estar com Cristo e fazer tudo para a Maior Glória de Deus.
Santo Inácio matriculou-se na escola de Deus, deixou-se conduzir por ele e tornou-se o “grande mestre do discernimento”. O Deus de Jesus Cristo é o único que nos dá horizontes para classificar nossas “moções”.
O discernimento é o núcleo central da espiritualidade inaciana. Para sermos fiéis à vontade de Deus é necessário uma constante atitude de discernimento... O que é discernimento?
“Discernimento é a ousadia de deixar-se conduzir pelo Espírito. É perceber, distinguir a voz de Deus no meio de um coro de vozes”. É estar muito atento/a às vozes interiores e exteriores que nos cercam e sobretudo às vozes que gritam no nosso interior. Dentro de nós estão presentes duas forças que se digladiam, duas correntes contrárias.
O discernimento desvela para mim o papel do Bom Espírito (BE), o comportamento do Mau Espírito (ME) e a  minha própria liberdade. Os espíritos (BE e ME), contudo, se manifestam  em forças ou impulsos -  de um lado e em expressões ou veículos – de outro. Denominamos esses impulsos, iluminações, cliques, “moções” quando nos vêm do BE  e “artifícios “ ou “tretas”  quando nos vêm do ME. A palavra ”moção” vem do latim ”movere” que significa mover. As moções que vêm do BE me levam para Deus e ao  seu Reino. As moções do BE me levam a fazer o bem, vêm da ação da graça. Contrariamente, tudo o que me afasta de Deus e do seu Reino vêm do ME, mau espírito, é denominado “artifício” ou “treta”; são armadilhas, tentações, que me levam a fazer o mal, portanto me afastam de Deus.
As “moções espirituais” vêm ao meu coração, à minha mente, independente do meu querer, vêm de fora.
Os impulsos se exprimem em dois estados básicos: a consolação e a desolação. Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio nos ensinam que discernir supõe, num primeiro momento, prestar atenção e saber “dizer” qual é o meu estado espiritual. O que estou sentindo? ( Não o que estou pensando...) consolação ou desolação...
Consolação : - Há consolação quando se experimentam os movimentos interiores por meio dos quais nos sentimos plenos de amor pelo Senhor, quando temos desejos fortes e lágrimas pelas coisas de Deus ou dirigidas para a construção do Reino. Todo o aumento de fé, de esperança e de amor é consolação, o mesmo ocorrendo com toda a alegria interior.
Desolação – Há desolação quando ocorre o contrário: obscuridade, perturbação, inclinação para as coisas do espírito deste mundo... Inquietação... Movimentos de desconfiança e de perda de esperança; sensação de fraqueza e de tristeza; sentimentos de separação de Deus.
Duas perguntas podem ajudar no discernimento:
- O que experimento ( o que estou sentindo?)  A chave de leitura não é o pensamento e sim o sentimento.
-  Aonde isto me leva?
   Me leva para Deus ou me afasta?
O discernimento torna a pessoa livre interiormente... não se aprisiona à sua realização pessoal.
·         Qual é o referencial de minha vida?
·         Gosto ou não gosto? Isto não me realiza...
É importante o conhecer-se interiormente... Quais são as minhas feridas, o
 “ meu sentir ferido”... O processo de “libertação interior” é muito lento... Os condicionamentos estão ligados às moções, desolações e apegos... Fácil é perceber as moções; o difícil é perceber os artifícios, os impulsos do mau espírito ( ME).
         A realização pessoal no discernimento é conseqüência... Muitas vezes apela-se tanto para a realização pessoal e isto faz com que se passe à margem do Plano de Deus. Não sei se o chamado de Deus leva à realização pessoal? Leva sim, mas em outro nível. Na vida espiritual é muito importante  saber distinguir claramente o que é um
”estado espiritual” em contraste com um estado fisiológico ( a dor, por exemplo) ou  psíquico( depressão, ansiedade, etc).
 
 Ir. Teresa Cristina Potrick, ISJ

Orvalho da alegria



                
Orvalho da alegria
Quando você estiver triste e nada mais restar em seu coração
Me dê a mão e vamos caminhar.
Um jardim especial eu vou lhe mostrar,
Caminhe comigo, erga a fronte,
Levante a cabeça,
Verá o horizonte,
A vida é bela,
Não se esqueça!
Se os pés doem, as pedras machucam,
Troque os sapatos,
Os fortes não desistem,
Buscam alternativas,
Sempre lutam!
Caminhe comigo, respire fundo,
Sinta o cheirinho bom do mato,
Confie no mundo!
Venha, você é meu amigo!
A amizade encoraja!
Amigo querido!
A caminhada é longa,
Mas você não está sozinho,
O jardim será seu refúgio,
Seu abrigo...
Venha comigo!

Autor desconhecido

segunda-feira, 30 de junho de 2014


Essencial


" Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. 
Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ele chupou displicente, 
mas percebendo que faltavam poucas, rói o caroço. 
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. 
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. 
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte. 
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. 
Já não tenho tempo para conversas intermináveis
para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias
que nem fazem parte da minha. 
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas que,
apesar da idade cronológica, são imaturas. 
Detesto fazer acareação de desafetos
que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral
do coral ou semelhante bobagem, seja ela qual for. 
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, 
quero a essência, minha alma tem pressa... 
Sem muitas jabuticabas na bacia,
quero viver ao lado de gente humana, muito humana;
que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, 
não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, 
defende a dignidade dos marginalizados, e
deseja tão somente andar ao lado de Deus. 
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes,
nunca será perda de tempo.
O essencial faz a vida valer a pena.
Basta o essencial!" 

Rubens Alves



quinta-feira, 26 de junho de 2014

Oração do século XXI



Oração do século XXI



Senhor, faz de mim um meio da tua comunicação,
- Onde tantos lançam bombas de destruição,
que eu leve a palavra de união.
- Onde tantos procuram ser servidos,
que eu leve a alegria de servir.
- Onde tantos fecham a mão para atacar,
que eu abra o coração para acolher.
- Onde tantos adoram a máquina,
que eu saiba humanizar a pessoa.
- Onde tantos endeusam a técnica,
que eu leve o sentido de viver.
- Onde tantos me pedem um peixe,
que eu saiba ensinar a pescar.
- Onde tantos me pedem pão,
que eu saiba ensinar a plantar.
- Onde tantos estão sempre distantes,
que eu seja alguém sempre presente.
- Onde tantos só vivem a matéria que passa,
que eu viva o espírito que fica.
- Onde tantos sofrem a solidão na multidão,
que eu leve o encontro com alguém.
- Onde tantos olham só para a terra,
que eu saiba olhar para o céu.
- Onde tantos se prendem a pequenas coisas,
que eu saiba apontar coisas maiores. 
Autor desconhecido